Na Pandemia, funcionários de mercados e postos de gasolina trabalham com medo

Vacinação contra a COVID/Tânia Rego

Quem trabalha em supermercado e também postos de gasolina não parou um dia na pandemia de COVID-19 e todos estão preocupados. Primeiro com a demora para que a doença dê um refresco, segundo com a exposição constante ao vírus e em terceiro lugar e talvez o mais preocupante: a falta de vacinação para estas categorias.

Os profissionais de supermercado em São Carlos com quem a reportagem teve contato expressaram o medo do trabalho. “Nossa função é essencial nestes tempos de pandemia, estamos na linha frente, na minha opinião, como o pessoal da saúde, talvez um pouquinho mais atrás porque não lidamos com doente em condições críticas, mesmo assim acho que nos expomos bastante seria interessante que pudéssemos nos vacinar”, disse uma trabalhadora.

Ela contou que no supermercado onde exerce a função de caixa e também ajuda, sempre que preciso, em outros setores o movimento é grande. “O movimento é grande, o supermercado limita a entrada, mas sempre tem gente que vem com a família, quando o ideal é apenas um membro fazer as compras rapidamente e ir embora, por isso falo que nós que atuamos neste setor sempre estamos expostos, muitos tiram a máscara para espirrar, isso é um absurdo”, assegura.

A jovem foi questionada se muitos do seu local de trabalho testaram positivo para a COVID. “Ao menor sinal de sintomas a pessoa é testada, fica isolada, somos em turnos, não sei houve teste positivo, mas posso falar da minha família onde tivemos quatro casos, o mercado está sempre sendo higienizado, porém ninguém trabalha sem medo”, relata.

Se no mercado há medo, nos postos de combustíveis também. “É preciso trabalhar, quem não tem medo? Meu cunhado ficou internado em Ribeirão Preto com a doença, antes eu achava balela, mas vi que é grave e hoje me protejo muito porque preciso do trabalho, contudo vejo que nosso serviço é essencial para que as coisas não parem de vez”, ressalta um frentista com mais de dez anos na função em São Carlos.

Perguntamos ao frentista se muitas pessoas vão sem máscara ao posto. “No carro é direto, tem gente que chega abaixa o vidro e não coloca a máscara para falar conosco, eu tento falar de longe, já pedi para colocar a máscara também, alguns ficam bravos, mas é a nossa saúde que está em jogo, não é?”, questiona.

O frentista falou com consciência sobre a vacina. “O governo deveria ter comprado vacina na hora certa, agora deu nisso aqui, poderíamos estar vacinados, assim como outros grupos, todos aqui no posto tem medo, quando chega a informação de algum conhecido contaminado ou então de pessoa que morreu fica sempre aquela sensação: quem será o próximo?”, indaga.

O fato é que essas duas categorias não estão incluídas ainda como prioritárias para a vacinação, mesmo sendo parte importante da roda de funcionamento dos serviços essenciais durante a pandemia. Sabemos que a vacinação tem que ser para todos, mas ouvir parte do drama da sociedade é sempre o papel mais importante que a imprensa pode ter perante às pessoas que necessitam saber o que está acontecendo.

Por Renato Chimirri