Na UBS do Azulville, você toma a vacina contra a COVID e leva amor para a casa

Momentos antes da vacina

Na portaria da unidade um enfermeiro loiro, muito gentil, vem na fila e conversa com as pessoas, não sem antes falar “bom dia”. Ele olha atenciosamente cada documentação e instrui aqueles que não sabem quais papéis são necessários para a vacinação contra a COVID-19. No Sistema Único de Saúde (SUS) é assim: todos são iguais, gente mais abastada aguarda na fila, com quem tem menos, pessoas conversam sobre o dia a dia e esperam sua vez para serem atendidas e o rapaz continua ali gentilmente disponibilizando formulários e orientando quem precisava.

Para mim, foi  marcante observar ele explicando para uma senhorinha como seu filho de 51 anos que sofreu um AVC tinha que fazer para se imunizar contra a COVID. Com uma paciência de Jó, ele ensinou direitinho para aquela mulher o que ela precisava fazer, assim como orientou um rapaz que tremia bastante e não conseguia preencher direito o formulário. Somente naqueles momentos na Unidade Básica do Azulville pude sentir um calor humano que há tempos não via, isso por causa do isolamento e também porque estamos todos tomados pelo medo do Coronavírus. Esquecemos que ser humano é um remédio raro e inestimável.

As pessoas pegaram sua senha, que esse mesmo jovem distribuiu, e puderam entrar na unidade. Local amplo, reformado pelo então prefeito Oswaldo Barba, extremamente limpo, com muitas cadeiras cumprindo o distanciamento social deste tempos tão perigosos. As pessoas entraram e se acomodaram.

No balcão uma servidora negra, gentilíssima, atendia as pessoas com uma voz marcante. Orientava, explicava e distribuía felicidade para quem estava no local, numa prova de que o SUS é indestrutível porque é o sistema de saúde do consenso, da partilha, de onde as pessoas se importam umas com as outras e é assim que tem que ser.

Como tenho uma comobirdade há muito tempo, hoje além dos meus habituais exercícios físicos, pude ir até a UBS para poder ser vacinado.

Entrei na sala depois de aguardar em uma fila com senha de maneira muito tranquila. Um rapaz e uma moça, duas pessoas muito amáveis, me esperavam. O jovem tomou o documento, me fez algumas explicações, e a moça aplicou a vacina da Fiocruz Oxford/Astrazeneca, mas não sem antes exibir o frasco, a seringa e o líquido. Mãos de fada, nem doeu nada.

Fui tudo tão tranquilo, tão bem feito, que a gente fica muito orgulhoso dessas pessoas, de saber que elas estão se arriscando para cuidar da gente. O SUS é uma arma poderosa nas mãos certas, nas mãos de quem quer cuidar da saúde do povo e esse servidores tão gentis, cordiais e educados aqueceram o coração das pessoas numa manhã fria do outono são-carlense.

Tomamos vacina, mas além disso, na Unidade Básica de Saúde do Azulville, também levamos para a casa uma dose de amor.

Viva ao SUS! Viva ao Funcionalismo Público! Os que querem destruir essa conquista não passarão pelo povo brasileiro!

Renato Chimirri