Análise: O prefeito Netto Donato saiu às ruas

Netto foi às ruas
Netto foi às ruas

Em poucos dias, o prefeito Netto Donato comprou goiaba na esquina da Episcopal com a Conde do Pinhal, esteve no Grande Cidade Aracy — reduto eleitoral de seu antecessor —, onde visitou casas, tomou café e conversou com as pessoas. Depois, andou de ônibus em uma viagem entre o Antenor Garcia e o Santa Felícia. Nesta terça-feira, participou de uma ação de limpeza no Santa Angelina. Tudo isso em poucos dias, na cidade onde ele foi eleito para governar, ou seja, São Carlos.

Podemos interpretar essas várias interações do prefeito com a população como uma nova forma de governar? Aparentemente, não. Contudo, são indícios de que quem comanda a Prefeitura percebeu que governar encastelado e viajando pode ser uma receita errada para que algo dê muito errado.

Já disse aqui e repito: as viagens para buscar recursos são fundamentais, e o prefeito Netto Donato não deve deixá-las de lado. Mas, se não houver contato direto — quase cotidiano — com a população, seu governo pode passar a impressão de estar distante dos mais necessitados.

Andar de ônibus foi um acerto. Ver de perto os problemas nas linhas e escutar quem usa o sistema é algo importante. Porém, isso vai muito além de vídeos para as redes sociais: é preciso ser eficaz na ponta da cadeia, atendendo às pessoas que esperam por melhorias. Espero que o prefeito não tenha ido andar de ônibus apenas porque o vereador Julio César criticou a concessionária. Quem está enfrentando falta de transporte, atrasos e superlotação quer ver as linhas sendo de fato melhoradas — e não quer saber se o vereador X falou Y sobre o que está acontecendo.

Visitar o Aracy foi uma demonstração clara de que o governo municipal quer se aproximar do povo. Foi acertado? Claro que sim. Toda vez que um mandatário vai até os locais mais populares, ele está falando diretamente com quem o elegeu. Mas essa não pode ser uma visita rara — precisa ser frequente.

A compra de goiaba na esquina foi um gesto humanizador. É claro que o vídeo foi feito para mostrar que Netto, pai, marido e advogado — além de prefeito — também é “gente como a gente”. Afinal, se fosse apenas uma compra, nada disso teria sido filmado.

Entretanto, neste ponto, vai um alerta: se o prefeito quer tornar o governo mais popular (isso é uma suposição do repórter), ele precisa melhorar a área social. Veja a situação da população em situação de rua na cidade, as reclamações dos comerciantes sobre o problema e uma questão nevrálgica: os restaurantes populares. Se permanecerem fechados até “sabe Deus quando”, a segurança alimentar dos mais humildes ficará bastante comprometida — algo que nem um trilhão de rodeios (mesmo que sem um centavo de dinheiro público) conseguirá compensar.

Ser prefeito é ouvir, claro. Mas também é entender que se governa para os ricos, para a classe média e, sobretudo, para os mais necessitados. São essas pessoas que estão na ponta, precisando ainda mais de um planejamento municipal que funcione. Nem só de eleição vive um político — mas de governo também.

Renato Chimirri

Leia mais: Massa de ar frio permanece na região e se intensifica, alerta Defesa Civil