
Nickolas Peixoto, 23 anos, é mestrando em física na UNICAMP e militante comunista. Ao lado do seu advogado, Caio Garcia, o jovem falou ao São Carlos em Rede sobre as pichações que promoveu na cidade, sobretudo aquelas que atingiram a estátua do Conde do Pinhal no Jardim da Catedral e a tábua dos Dez Mandamentos que fica na Praça Santa Cruz também no Centro. Acompanhe os principais trechos:
São Carlos em Rede- Nickolas, o que levou você a promover as pichações no Centro de São Carlos?
Nickolas – Foi uma manifestação artístico-política, e uma forma de levantar um debate em São Carlos com relação a pontos que acho problemáticos. Como, por exemplo, homenagens a figuras associadas à escravidão.
São Carlos em Rede- Quais foram os pontos que você pichou em São Carlos?
Nickolas- Há três pontos que são os principais: a Estátua do Conde do Pinhal, o Monumento dos Dez Mandamentos e um adesivo que se encontra na avenida São Carlos onde está escrito: “Pena de Morte para Traficantes”. Esses são os principais alvos, mas fiz outras manifestações ao redor, como Praça Coronel Salles, mas o objetivo é para chamar a atenção para essas três. A meta era causar espanto para chamar a atenção aos focos principais.
São Carlos em Rede– Você disse que pretende levantar um debate na cidade, qual é o tipo de discussão pretendida?
Nickolas- Bom, me identifico como comunista, de esquerda radical e o principal tópico que quero levantar é a questão de homenagens a pessoas associadas a questão da escravidão e acredito que todas as pichações de cunho político, todas dialogam com esse tema de alguma forma. A figura do Conde do Pinhal, ele foi uma pessoa associada à escravidão, tanto que no senso de 1872, São Carlos tinha 11 mil habitantes e destes 4 mil eram escravizados, quase metade da população são-carlense. (Dados citados por Nickolas).
São Carlos em Rede– Você faz parte de algum partido político? Você tem intenção de seguir carreira política?
Nickolas– Tenho intenção de continuar atuando politicamente, mas não de maneira institucional, não sou filiado a nenhum partido político.
São Carlos em Rede- Como viu a repercussão atribuída ao seu ato de pichar locais públicos em São Carlos?
Nickolas– Veja como uma repercussão positiva, embora muitas pessoas tenham sido contra, há um debate posto em pauta. Apesar das opiniões contrárias, para mim, o debate já é um avanço. As ações políticas me proporcionaram ter uma voz nos veículos de comunicação da cidade e fazer com que a discussão crescesse, o que me dá a noção de um impacto positivo das ações.
São Carlos em Rede– Você não teme a punição judicial pelos atos que você praticou?
Nickolas– Temer de maneira alguma, acho que qualquer um que tiver medo de represálias não tem direito de se declarar como comunista!
São Carlos em Rede– A sociedade atual é muito opressora?
Nickolas– Com certeza! Contra a classe trabalhadora, contra a população preta, LGBT, as minorias sociais.
São Carlos em Rede– Você acredita na revolução para mudar essa situação?
Nickolas– Sim! Acho que conseguimos alguns avanços pontuais dentro do capitalismo, mas só iremos nos libertar com uma revolução socialista. É preciso tirar o poder político da mão da burguesia e que ele seja colocado na mão dos trabalhadores.
São Carlos em Rede– Como foi a repercussão dos seus atos perante sua família?
Nickolas– Não falo com o lado da paterno da minha família, do lado materno sempre fui aberto com minha mãe sobre as ações, ela sabia de tudo, conversei com ela e expus meu ponto de vista, expliquei que se tratava de uma atuação política, disse que não queria causar danos estruturais, mas sim fazer uma manifestação política e minha mãe sempre foi muito compreensiva com isso.
São Carlos em Rede– Nickolas, além dessas pichações, você participou de outros atos deste tipo?
Nickolas– Não. Foram esses atos mesmo.
Advogado Caio Garcia explica a questão jurídica do Caso Nickolas
O advogado Caio Garcia explicou como está a questão jurídica da ação de pichação perpetrada por Nickolas. “Estivemos na delegacia na sexta passada onde tomei contato com o teor do inquérito. O Escrivão Renato, pessoa muito competente, nos relatou que os próximos movimentos do inquérito incluem a relação do custo para se reparar os objetos públicos, mas o entendimento da defesa técnica é de que o Nickolas não cometeu crime”, disse.
Segundo o advogado, ainda que ele tenha confessado os atos, a compreensão da defesa técnica é de que o dolo (a vontade do Nickolas) não era danificar o patrimônio público. “Tanto é que as ações dele não resultaram em qualquer prejuízo estrutural aos aparelhos públicos, sua intenção era promover uma manifestação artístico-política e foi isso que aconteceu, as tintas empregadas não eram nem para danificar de maneira definitiva os objetivos, a conduta do Nickolas tem que ser analisada sob o prisma da liberdade artística e de expressão”, afirma.
O advogado ainda disse que o princípio da proporcionalidade mostra que a ação de Nickolas despertou o debate público em São Carlos. “Estamos vendo os resultados do debate na sociedade ao longo das últimas semanas”, ponderou.

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