Nossa história: O papel do Flor de Maio no dia da Consciência Negra em São Carlos

Odete dos Santos: um ícone de São Carlos

Por Cirilo Braga

O Dia da Consciência Negra põe em relevo o papel social e cultural do Grêmio Recreativo Familiar Flor de Maio em sua trajetória de 92 anos em São Carlos. O clube onde brilhou Odette dos Santos com sua Escola de Samba, elegeu sua primeira Rainha do Carnaval em 1947 e ao longo do tempo promoveu importantes debates sobre temas sociais.

Em 1973, realizou um ciclo de conferências colocando em pauta a transição de escravo a cidadão, a marginalização do negro no mercado de trabalho e a situação da mulher negra. Temas que impulsionam o combate ao racismo, à discriminação e ao preconceito, sem perder de vista que o nascedouro dessa luta em São Carlos se deu no Flor de Maio.

A região onde o clube se localiza concentrou no final do século XIX, famílias de ex-escravos que foram morar na “vertente sudoeste da colina central” além da Biquinha (hoje Teatro Municipal), chácaras do major Rodrigues Freire (Asilo dona Maria Jacinta) e do Major Manuel Antonio de Mattos (Vila Pureza).Já em fevereiro de 1935, músicos e passistas se reuniam em frente à sua primeira sede, ainda provisória, na rua Conde do Pinhal, imagem que retrata a formação de sopro, percussão e banjo que compunha o conjunto de jazz.Desde a sua origem, o clube já se tornava uma referência quanto à sua capacidade de organização.

Havia, para além do espírito de congraçamento e de reunião, um sentido de resistência e um alto significado para a conscientização da comunidade negra em São Carlos. Por toda a sua representatividade e simbolismo, o Flor de Maio teve o seu tombamento oficializado em 2011 pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico de São Carlos (COMDEPHAASC), que o considerou patrimônio histórico e cultural do município. O primeiro clube social negro a ser tombado no estado de São Paulo.