O Atendimento Referenciado na Santa Casa terá sucesso se o sistema funcionar em toda a rede de saúde de São Carlos

Placas informam sobre atendimento

O atendimento referenciado na Santa Casa de São Carlos tem previsão para começar em 1º de março. A iniciativa vem dividindo opiniões nas redes sociais e também na imprensa num assunto que deve ser debatido amplamente pela sociedade com o objetivo de se chegar num denominador comum, afinal estamos falando daquilo que é oferecido para o povo, segurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), portanto público.

Como a própria Santa Casa explicou, a partir da próxima sexta-feira, 1º de março, os pacientes que chegarem por demanda espontânea serão classificados e se apresentarem quadro clínico de baixa complexidade, serão orientados a procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Unidade Pronto Atendimento (UPAS) na próxima vez. Segundo o hospital, o propósito dessa ação é melhorar o atendimento feito pelo SUS para a população de São Carlos e região.

A Santa Casa diz que o Atendimento Referenciado tem um caráter educativo nesse primeiro momento. Com a Rede Pública de Saúde fortalecida a DRS ao lado da Prefeitura e da Santa Casa entenderam que esta é a melhor ocasião para orientar a população de onde deve ir para atendimento médico. O hospital também informou que esse procedimento é uma orientação do SUS (Sistema Único de Saúde) que direciona aonde os pacientes deverão receber o atendimento médico de acordo com sua gravidade e complexidade. Casos mais complexos e graves serão atendidos nos hospitais de referência como a Santa Casa, casos menos graves e complexos deverão se dirigir às UBS ou UPA.

Como sabemos, a mudança está preconizada pelos órgãos que gerem a saúde municipal, estadual e federal, porém é fundamental que a Prefeitura, uma das avalistas do novo sistema, saiba onde está se metendo. A pergunta fundamental para isso é a seguinte: há estrutura na rede básica, tanto em Unidades de Pronto Atendimento, bem como nas Básicas de Saúde para essa mudança ser engendrada?

Os atores envolvidos nessa importante alteração do sistema de atendimento buscam a racionalização, educação da população e otimização de recursos e é claro, a melhoria do atendimento na Santa Casa que poderá prestar um serviço mais elaborado ao paciente. Contudo, resta saber se a rede básica vai suprir essa demanda. Espero, e quero crer, que a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde tenha feito um trabalho para que isso ocorra, pois uma guinada desse nível tem que ser preparada com bastante antecedência. Não dá para mudar e tentar controlar o boi quando ele já estiver pulando no pasto.

Está em jogo neste momento o atendimento à população, todos queremos que ele melhore, eu entendo que a referência pode ser uma boa alternativa, mas volto a frisar, desde que o acolhimento na rede primária seja realizado com sucesso. Não dá para ter furos neste atendimento, não dá para dizer que a unidade não tem médico, que não pode dar o diagnóstico, o sistema tem que funcionar todos os dias, porque pessoas adoecem levemente ou gravemente em qualquer período da semana.

A imprensa cumpre seu papel fundamental de suscitar o debate entre a sociedade, os políticos e a própria Santa Casa que há séculos vem atendendo à população são-carlense. Isto posto, caberá as autoridades no dia do lançamento do sistema referendarem que ele funcionará  e que eventuais buracos no referenciamento aparecerão de forma controlada, afinal isso precisa realmente beirar a perfeição. Torço para que funcione e iremos acompanhar com olhos abertos essa nova iniciativa.

Renato Chimirri