O caminhoneiro que ajudou a grávida na Marginal

Imagem ilustrativa de como seria o Trovão Azul ideal

Depois que publiquei a matéria contando a história do Seu Afonso (aquele senhor que achou uma carteira e devolveu para um jovem trabalhador), outras pessoas me procuraram e foram passando alguns relatos de pequenas ações,  que podem modificar a vida de quem as recebe.

Essa que vou contar agora uma que veio de um caminhoneiro de 52 anos que pediu para ser chamado de Toninho (o interessante é que nenhuma dessas pessoas quer aparecer e fazer propaganda de si mesma, apenas contar uma historinha de uma boa ação).

Pois bem, Toninho é caminhoneiro desde 1993. Mora numa chácara na zona rural de São Carlos, mas que segundo ele, “é bem pertinho da cidade”. Dia desses, Toninho parou com seu Mercedão Azul que ele carinhosamente chama de “Trovão Azul” no Savegnago da Comendador Alfredo Maffei. “Iria comprar leite e pão e depois ir para a casa, minha esposa tinha pedido a compra via WhatsApp”, contou.

Toninho estacionou o caminhão nas imediações, não foi fácil, ele mesmo conta: “Ali é muito difícil parar, tem movimento grande, a Prefeitura deveria colocar logo semáforos e ajudar os motoristas e os pedestres!”

Entrou no mercado, comprou pão, leite, carne e foi correndo para o caminhão, porque o solzinho maroto tinha dado lugar ao céu escuro e a chuva que castigava São Carlos há dias. “Quando vi, estava ventando e aquele castigo que vinha do céu, é enchente, é buraco, dá até medo”, disse.

Pegou a Marginal e começou a se deslocar no sentido do Castelo Branco e foi neste momento que percebeu uma mulher indo sozinha. “Eu passei e vi a moça, ela caminhava com dificuldade, estava grávida e a chuva comendo solta, seu cabelo estava molhado, e ainda por cima estava de seis meses, imaginei…”, contou.

O caminhoneiro não teve dúvida. Encostou o veículo e falou com a moça. “Perguntei se ela não queria uma carona, uma ajuda, porque tava chovendo muito forte, ela me olhou desconfiada, mas eu falei pra moça, olha aqui meu São Cristóvão, sou trabalhador, a senhora tá tomando muita chuva, isso não fará bem para os dois (ela e o bebê)”, recordou.

Toninho explicou que a moça naquele momento não teve dúvidas. “Seu semblante mudou, ela disse que aceitaria a carona e a ajudei a subir no caminhão, a chuva estava engrossando mais”, ressaltou.

No caminhão, Toninho perguntou onde a moça morava e ela lhe contou como foi que a tempestade a pegou. “Ela disse que tinha saído para fazer uma caminhada que era bom para as suas pernas, mas que do nada começou a chuva e o único jeito era ir a pé, pois o celular não completava a ligação para o marido, depois me indicou onde era a sua casa, ali pertinho do Castelo Branco”, revelou.

O caminhoneiro levou a moça até sua casa e parou bem na frente. “Encostei o caminhão, ela desceu, o seu marido tinha acabado de chegar e deu um pulo assustado do carro, mas a senhora foi logo explicando que eu a ajudei a fugir da tempestade, o rapaz me agradeceu, apertei as mãos dos dois, sai e dei uma buzinada! Pode não parecer nada para alguns, mas se fizermos um gesto de bondade sempre por alguém, certamente o mundo será melhor!”

O Trovão Azul continua por aí, rodando pelas estradas brasileiras e levando amor e esperança por onde passa.

 

Renato Chimirri

 

Imagem de Peter H por Pixabay