O Campeonato de Braço de Ferro na Escola João Jorge Marmorato

Cena do filme "Falcão, o campeão dos campeões"

Dizem que a década de 90 foi onde muitas coisas podiam acontecer e ninguém achava estranho. O caso que foi vou contar aqui aconteceu exatamente no ano de 1990 na Escola João Jorge Marmorato no Castelo Branco.

A minha classe teve uma “janela” (quando por algum motivo de força maior o professor falta e não dá sua aula). Normalmente, quando isso ocorria, os alunos ficavam andando pelo pátio da escola, comiam algo na cantina, estavam na classe ou procuravam um afazer, afinal nesta época não havia tanto computador e telefone celular sequer existia. As ligações ou eram de fixo ou do chamado orelhão (coisa que a maioria dos jovens de hoje nem sabe que existiu!).

Naquela janela, de um mês de 1990, não me lembrou qual, a nossa classe estava no pátio e foi quando a inspetora de alunos se aproximou. Ela que era mulher de opiniões fortes, mas sabia ser gentil, ficou olhando aqueles vários homens sem fazer nada, apenas parados e de papo para o ar e resolveu reuni-los na mesa das refeições, onde se comia a chamada merenda. Quem conhece a escola Marmorato sabe que no pátio existem (ou existiam, isso na minha época!) duas mesas onde as pessoas se alimentavam.

Pois bem, a inspetora chamou todos os rapazes e formou uma fila. Até então, ficamos pensando que ela queria que escolhêssemos times para jogar futsal, mas não! A surpresa foi grande: ela organizou um campeonato da braço de ferro, senhoras e senhores! Isso mesmo, ao melhor estilo Falcão, o campeão dos campeões, foram sendo disputadas quedas de braço na mesa da merenda e a coisa foi ficando agitada.

Os rapazes queriam demonstrar força, as moças olhavam e torciam naquela momento, e a inspiração era o filme do Silvester Stallone “Falcão, o campeão dos campeões” de 1987 e que trata de um caminhoneiro que disputa torneios de braço de ferro. A película do velho Stallone estava no auge e todos os jovens se empolgaram.

Quando chegou minha vez, sempre dou azar (é incrível!), caí com o Eslei, um amigo que hoje mora na região norte do Brasil. Ele é um rapaz forte, acho que até mais alto do que eu e a disputa de braço de ferro foi intensa, ficamos pelo menos uns 15 a 20 minutos tentando um derrubar o outro. Era a minha mão que quase tocava a mesa, depois era a mão dele, todo mundo suando e gritando, uns torcendo para um e outros para outro.

O fato é que ali se transformou no palco do filme do Falcão e depois de uma disputa acirradíssima onde qualquer um poderia ter vencido, eu ganhei o braço de ferro, mas isso é irrelevante. A vitória ficou para aquele momento apenas.

O curioso é lembrar dessa história e dos saudosos tempos dos anos 90 quando até os inspetores de alunos tinham ideias fantásticas para passar o tempo dos estudantes durante uma janela entre uma aula e outra.

O braço de ferro no Marmorato foi inesquecível.

Renato Chimirri