O Centro de São Carlos normalizou a pandemia, mas o perigo ainda existe

Tudo como num dia comum

O colorido das máscaras nos rostos das pessoas talvez seja o maior lembrete de que ainda vivemos a pandemia de COVID-19. Fazia pelo menos uns 70 dias que não tinha a real necessidade de andar pelo Mercado Municipal e algumas lojas daquela região e pude ver que a sensação é de que a pandemia de COVID-19 acabou.

No Mercado Municipal olhei as lotéricas com muita gente buscando solução para os seus afazeres, os boxes que vendem alimentos também estavam lotados e o movimento era o da vida comum. Por um lado, pela pressão do emprego, isso parece bom, mas vendo o noticiário da Europa é quase certo que se continuarmos nesse ritmo poderemos sofrer em todo o país com uma segunda onda forte de infecções por Coronavírus que deve terminar apenas em 2021 quando a população for vacinada contra essa terrível doença.

O que mais me impressionou pelas ruas que andei foi ver a quantidade de pessoas que se aglomeram sem a real necessidade de estar ali, as crianças andando sem máscara e adultos que colocam a máscara protegendo a boca, mas deixam o nariz para fora. Até em uma loja que fui a vendedora estava sem máscara, só colocou o equipamento depois de ver o meu olhar de desaprovação, eles parecem não acreditar que o Coronavírus pode matar e que por aqui já foram 54 mortes e no Brasil poderemos chegar a 170 mil em breve.

As pessoas estão usando o fator social para decretar o fim da pandemia, mas as autoridades de saúde estão alertando que ela pode se intensificar. A Inglaterra decretou novo lockdown, a Espanha, Portugal, Itália e França também estão restringindo a circulação de pessoas, logo esses países que foram os primeiros a se abrir após a onda de número um.

O importante era que pudéssemos aprender e manter o foco para sairmos somente para aquilo que for essencial, pois o Coronavírus ainda circula em altas taxas em São Carlos, em São Paulo e no resto do Brasil e não temos uma vacina pronta, temos algumas que estão quase prontas.

Cabe aqui para o são-carlense a velha frase: “Você só dará valor para os argumentos científicos quando alguém de sua família morrer de COVID-19”.

Eu posso falar com todas as letras sobre isso, porque meu vizinho de 41 anos foi a primeira vítima da doença em São Carlos e deixou esposa e filhos, portanto o medo ainda existe e precisamos nos cuidar.

Renato Chimirri