O Chinês Shaolin da Marginal do Savegnago

O cara era um Dragon Ball

Tenho por hábito depois de fazer meus 15 km de caminhada diários levar meu melhor amigo, o Zé, para dar uma volta. Ele é um cachorrinho exigente então sempre gosta de passear em locais com verde e também à noitinha, pois assim tem aquele sono tranquilo e nessa época de pandemia de COVID-19 os passeios com ele tem sido um pouco mais curtos, mas sempre de máscara.

Na noite de ontem, 11, as coisas pareciam que iam calmas, sem maiores sobressaltos, foi quando entrei na Marginal, pouco depois da horta hidropônica na região do novo Savegnago. Estava com o Zé passeando e olhando a paisagem, ao mesmo tempo que ouvia o programa do Reinaldo Azevedo na Band News FM.

Prestava atenção numa das falas do Reinaldo quando vi que o Zé começou a olhar para algo que se mexia na ciclovia, no começo achei que era um bike chegando ou algum corredor que viesse em minha direção, apesar de eu estar na calçada.

Quando fixei bem a vista, vi um rapaz, um jovem de porte magro, cabelo preto, notei que era uma pessoa com ascendência oriental. O Zé começou a ficar bravo, a latir, mas o rapaz prosseguiu em minha direção de maneira esquisita. Ele deu umas piruetas na ciclovia, aquelas que parecem de filme do Bruce Lee, depois dois chutes rodados no ar e parou na minha frente dando uns gritinhos de karatê daqueles: “Yeah! Woww! Pow! Sock!”

O moço fixou ali, não sei se estava no seu juízo perfeito, olhou para o meu cachorro e fez um gesto como se estivesse realizando uma dança de luta e continuou com aqueles gritos de filme do Bruce Lee, do Van Damme e do Chuck Norris. Na hora assustei, mas daí perguntei: “Companheiro, você tá bem?”

Sei lá se o cara percebeu que tinha, de fato, alguém vendo aquela doideira e na hora parou deu uma risada e disse: “Boa noite!”

Eu respondi boa noite, ele olhou para o Zé e respondeu: “Oi, cachorrinho!” E saiu correndo. Quando chegou na esquina deu mais duas piruetas e saiu sumiu do mapa. Foi uma cena surreal porquê do nada me vi no meio de um filme desses de artes marciais quando você simplesmente assiste a luta dos caras.

Andei mais uns quarteirões dando risada da cena e para piorar, naquele momento só havia eu na Marginal, nem um carro passou para testemunhar que temos um acrobata fazendo peripécias na avenida.

Foi surreal, mas muito engraçado e inusitado.

 

Renato Chimirri