O coração sangra com o falecimento de duas pequenas; A maior tragédia neste início de 2025 em São Carlos

Uma triste com essa notícia/Foto: Maurício Duch

O coração sangra. Talvez essa seja a expressão que melhor define ser obrigado a noticiar a morte de duas crianças como aconteceu nesta noite de quinta, 6, no Planalto Verde em São Carlos.

Para que a notícia aconteça, seja ela triste ou um bom acontecimento, ela precisa chegar primeiro ao repórter, portanto ficamos sabendo antecipadamente o que os outros conhecerão em instantes. Quando fui notificado da tragédia no Planalto Verde fiquei sem reação, demorei alguns minutos para entender onde estava e o que fazia. Duas crianças de 5 e 9 anos simplesmente morreram afogadas. Dá para ter a noção do tamanho dessa tragédia?

É dever da imprensa noticiar o que está acontecendo, mas é preciso ter senso, humanidade, critérios para poder passar, minimamente, o que aconteceu para as pessoas que lerão a nota. Mas antes de tudo, é preciso pensar em quem está sofrendo, quem está passando por essa dor, sentir o que eles estão sentindo e toda vez que eu noticio uma tragédia, sofro junto, choro junto, lamento junto! A tristeza nesta noite me consumiu de tal forma, afinal sou pai de uma menina de que fará 13 anos em outubro, e, sempre me coloco no lugar de quem perdeu.

Não estou aqui, neste texto, para julgar circunstâncias. Elas serão apuradas pela Polícia Civil que responsabilizará quem merece neste caso, mas vejo o lado humano de tudo: estamos diante da maior tragédia até agora em São Carlos neste ano de 2025. Uma tragédia de tamanho incalculável, inexplicável e que ficará marcada para sempre na pele de quem a viveu.

Durante todos estes anos na imprensa noticiei diversos casos terríveis, assassinatos bárbaros, corrupções, danos, pessoas doentes, também dei muitas informações boas, contudo hoje foi emblemático: crianças morreram, 5 e 9 anos. É preciso refletir sobre isso, sobre nossas responsabilidades com os pequenos.

Nós humanos, como muitos gostam de dizer, somos movidos pelas notícias ruins, mas isso não é verdade. Todo o jornalista quando começa a sua jornada diária quer dar o maior número de informações positivas, contudo o caos social sempre impede que esse ideal seja realizado em plenitude.

Terminamos a quinta deitando em nossas camas e colocando a cabeça nos respectivos travesseiros, mas com lágrimas nos olhos.

São perdas irreparáveis, duas vidas que tinham tudo pela frente: sonhos, projetos, um futuro todo. Talvez, elas nem tivessem ainda pensando no que poderiam ser nos dias que viriam pela frente.

Fica a dor, a saudade, a sensação de que essas notícias nos marcam profundamente. Chorei escrevendo, vocês choraram lendo, todos choramos juntos. Uma noite triste, um dia lamentável!

Renato Chimirri