O drama de uma filha que está com a mãe infartada na Santa Casa

A mãe de V. sofreu um infarto e precisou buscar atendimento no Sistema Público de Saúde, precisamente na Santa Casa de Misericórdia de São Carlos. A senhora foi atendida, mas ainda aguarda desde ontem, 15, uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva Coronariana, segundo sua filha.

Para esperar essa vaga, a mãe de V. está na chamada Sala Amarela da Santa Casa, um local onde ela já precisou ser sedada (de acordo com a filha) porque no estado clínico em que se encontra acabou testemunhando atendimento de um homem atropelado por um caminhão e também de um motoqueiro que passou por um acidente. É claro que a senhora, que não está acostumada com o ambiente hospitalar, se impressionou e passou mal.

Contou que foi muito bem atendida pelo profissional médico que cuida da sua mãe e que o mesmo informou que em virtude da pandemia de COVID-19 duas alas do hospital estão tomadas para a doença, mas que isso também tem um reflexo nos demais atendimentos do SUS, pois enfermidades diferentes como um infarto agudo do miocárdio ou um acidente vascular cerebral continuam acontecendo e com alas utilizadas para o Coronavírus onde esses pacientes serão alocados?

V. relatou para este repórter que há pacientes que poderiam ter alta da UTI Coronariana, mas que isso ainda não aconteceu porque não se tem onde aloca-los no momento e isso lhe gerou uma grande indignação que se resume no seguinte: “Enquanto minha mãe está passando por isso na Sala Amarela e numa maca, outras pessoas estão em cadeiras de rodas e etc, muitos não estão ligando para a gravidade da pandemia de COVID-19 e estão aglomerando, fazendo festas, se contaminando, indo em bares beber e espalhando o vírus para um monte de pessoas”.

Ela destacou que entende a situação caótica e estressante em que se encontram profissionais de saúde e pacientes, porém cobra uma resolução para o caso da sua genitora e também de outros pacientes que passam por sortilégio semelhante.

De acordo com V., se alguém acha que não existe o “caos na saúde” basta observar essa situação em que se encontra a sua mãe neste momento. Alguma coisa precisa ser feito com celeridade para resolver esse caso.

 

Renato Chimirri