O idoso que salvou o dia de um jovem são-carlense

A imagem é apenas para ilustrar o texto

Seu Afonso tem 71 anos de idade. Muito ativo, sem problemas de saúde, costuma todos os dias sair de sua casa na região da rua Padre Teixeira fazer uma caminhada até perto da Catedral e depois voltar para a casa, antes passa na Vovó Lúcia (dá uma subidinha) pega um pãozinho e as vezes toma um café. “Se tomar muito, não durmo depois do almoço”, brinca.

Sempre de boné, Seu Afonso conta que já teve um carcinoma, mas que tudo correu bem e o tratamento foi realizado em SP, onde seu filho trabalha para uma importante empresa e tem um convênio na área de saúde como ele mesmo diz “muito bom”.

Numa dessas suas caminhadas, Seu Afonso notou que viu um objeto jogado no chão na esquina da rua São Sebastião com a São Paulo. Abaixou-se para ver e tomou uma surpresa. “Era uma carteira, de um jovem, dentro dela tinha documentos e R$ 1,3 mil em dinheiro”, contou.

Lembrando de sua infância em Catanduva onde havia sido funcionário de um escritório, Seu Afonso contou que ficou desesperado. “Eu sei o quanto é duro ganhar um salário, fiquei de alguma forma tentando achar um telefone, um endereço, alguma coisa que pudesse me levar para esse rapaz”, lembrou.

Não encontrar nada naquela hora o deixou “cabreiro” como ele mesmo disse à reportagem. “O senhor já perdeu uma carteira? Então, perdeu algo de valor?”, me perguntava a toda hora.

Eu respondi ao Seu Afonso que havia perdido a minha aliança de casamento, mas que milagrosamente a recuperei, ele ficou espantado e disse que era benção de Deus. Nisso concordamos.

Em casa, depois de achar a carteira, seu Afonso procurou Dona Belinha, sua esposa e foi falar com ela sobre o achado. “Achei essa carteira, mas não consigo devolver, o que farei?”, questionou sua companheira de anos.

Dona Belinha, pessoa muito atenciosa, viu que durante um dia seu marido sofreu demais com a situação e ela não tinha alguma esperança de resolver aquilo. Até que se recordou de um vizinho que sempre está mexendo no celular, um jovem que é sempre muito gentil. “Ah, o chamei aqui em casa e contei a situação, na hora, ele disse que poderíamos procurar pelo nome na internet, como o dono da carteira tinha apenas dois nomes foi mais fácil achar, nessas redes sociais, isso tem um grande serventia atualmente”, destacou.

Com o dono da carteira reconhecido por fotos, o jovem que ajudou o casal fez contato com o sortudo (por recuperar a carteira), o moço até chorou no telefone, pois disse que aquele dinheiro serviria para ajudar a pagar as despesas de sua casa. Em sua moradia na periferia de São Carlos vivia com mais dois irmãos e a mãe que era solteira (abandonada pelo marido) e que também trabalhava numa empresa terceirizada.

Seu Afonso, Dona Belinha e o jovem vizinho correram até a casa do rapaz, fizeram a entrega e o menino os abraçou várias vezes. Ele disse que carteira caiu quando estava fazendo um serviço para a empresa em que trabalha. “Ele explicou que foi descarregar umas mercadorias do seu trabalho e provavelmente deixou sua carteira cair”, afirmou o idoso.

Todos ficaram felizes, Seu Afonso contou que ganhou um novo amigo e que o jovem já foi até sua casa onde pode conhecer a coleção de canecas que ele tem desde os anos 70. “É palmeirense como eu, fiquei feliz por ter ajudado alguém!”

Seu Afonso é um leitor do São Carlos em Rede (ele recentemente ganhou um tablet do filho e está aprendendo a mexer na internet) que no dia de ontem entrou em contato com a redação para que pudéssemos contar sua história. Disse que esse foi um dos seus primeiros e-mails. Como não amá-lo, não é?

 

Renato Chimirri

 

Imagem de Erdenebayar Bayansan por Pixabay