
Eu acho que ele tem um jeito de cantor de banda de rock pauleira, mas o homem é médico e dos bons. Estou falando do dr. Marcus Bizarro, um dos melhores, senão o melhor intensivista de São Carlos. Ao longo dessa pandemia de COVID-19, que por sinal ainda não acabou, tive a oportunidade de entrevista-lo algumas vezes e de também ser atendido por ele em seu consultório e notei um detalhe: para ser um bom médico você não precisa se colocar num pedestal como um semideus, mas sim ser acessível, engraçado, conversar sobre fatos do cotidiano, sorrir e até falar banalidades com os pacientes, ou seja, para ser médico é preciso ser humano.
Marcus Bizarro é humano demais para falar com seus pacientes. Comigo sempre foi. Lembro em 26 de outubro do ano passado, há quase um ano, quando operei às pressas da vesícula. Estava no quarto do Hospital da Unimed aguardando a alta e quem entrou pela porta? Ele mesmo, o dr. Marcus, sentou lá comigo e ficamos batendo um longo papo, sorrindo e discorrendo sobre a vida. Aquela conversa amenizou a minha tensão, embora eu soubesse que iria para a casa, estava em um hospital, em um momento onde um vírus desconhecido estava matando pessoas que eu conhecia, mas dr. Marcus não deixou a peteca cair e ficou lá comigo me fazendo rir e contando “causos”, pois ele é bom nisso também.
Entretanto, Marcus é um lutador de várias formas, foi secretário de Saúde de São Carlos, defende o SUS, à medicina que precisa chegar aos mais pobres, não concorda com o desmonte de políticas eficazes para a área de saúde em todo o Brasil e ao longo da batalha contra a COVID sempre foi voz crítica para as atitudes medíocres e até negacionistas dos governos federal, estadual e municipal, ou seja, ele não defende remédio ineficaz, é entusiasta da vacinação e sabe muito bem que o Estado precisa estar presente na vida dos mais necessitados para que eles possam ter dignidade.
Quem vê o Marcus paramentado como intensivista acha que ele é um médico “bravo”, sisudo, mas é o contrário, seu espírito é bom e conheço muitos pacientes que são gratos por seus cuidados ao longo do tempo, pessoas que tiveram a vida salva graças ao seu conhecimento e hoje lhe são gratas ao extremo.
Um amigo da minha família, certa vez, sofreu um acidente de moto, ficou na UTI por um período, muitos achavam que ele não aguentaria, mas o Marcus acreditou, permaneceu firme e o hoje o rapaz está trabalhando e ajudando sua família. Ele, que pediu anonimato, lhe disse que é extremamente grato.
Ser médico é isso, caminhar por um mar de gratidão, isso se você honrar sua profissão, por isso neste 18 de outubro, dia de São Lucas, médicos de homens e de almas, na figura do dr. Marcus estendo minhas congratulações para os/as profissionais que atendem seus pacientes sempre com um sorriso no rosto quando necessário.
A arte da medicina é algo nobre e que interfere na vida de todos. Que ela possa chegar cada vez mais para os mais pobres. Viva aos médicos defensores de uma medicina de qualidade. Viva ao dr. Marcus!
Renato Chimirri









