
A fama de exorcista do Padre Antonio Tombolato que, infelizmente, nos deixou numa quinta, 29, aos 93 anos era grande e corria por vários locais. Ocorre que minha avó, Elisa Clemente Chimirri, nascida em 1910 e falecida em 1988, sempre foi uma amiga e acompanhou boa parte da trajetória do sacerdote. Além disso, minha avó era uma benzedeira das mais famosas, por isso muita gente que morava na Vila Irene, Vila Isabel e de outras localidades passavam por sua casa.
Ela não perdia missa celebrada pelo Padre Antonio de jeito nenhum. Gostava sempre de ir pela manhã e um dia me contou uma história que carrego comigo até hoje.
Segundo minha avó, um menino do seu bairro era levado, peralta, não parava quieto, brigava com o pai e com a mãe, arrebentava janelas dos vizinhos, atazanava dos animais e não tinha muita paciência com ninguém. Sua mãe já havia tentado de tudo para tentar acalmar o garotinho que sempre arrumava briga na rua com os demais meninos.
Um belo dia, esse menino foi levado para a minha avó, a mãe queria benzê-lo para acalmá-lo, costume antigo e da crendice popular. Ela fez o rito, benzeu o garotinho, o menino ficou bonzinho por alguns minutos, mas enquanto minha avó conversava com sua mãe depois do “benzimento”, o menino infernizou o Amarelinho, um cachorro que era meu e da minha avó.
A vovó ficou brava, mas notou algo estranho no menino e disse. “Leve-o para o Padre Antonio!”
A senhora que a procurou ficou assustada, pois havia entendido o recado. Levar o garoto para o Padre com fama de exorcista. Passado alguns dias, ela aceitou o conselho e colocou o rapazinho na presença do Padre Antonio.
A mulher contou para a minha avó que o menino conversou um pouco com Padre Antonio e que ele pediu para a senhora esperar um pouquinho. Levou o garoto na igreja, sentou ao seu lado no banco e ficou conversando com o menino e mostrando as coisas, aquilo que havia na igreja. A senhora viu tudo de longe.
Ela notou que o Padre também benzeu o menino. Os dois foram para a casa. Depois de algumas semanas, ela foi até o Padre e agradeceu, dizendo que o menino tinha melhorado bastante e estava mais calmo, mais tranquilo e havia parado com suas peraltices e com aquele “espírito de porco”.
Curiosa, ela perguntou: “O senhor o exorcizou? O vi benzendo-o!”
Padre Antonio gentilmente disse, segundo a minha finada avó: “Não, ele não tinha nada, mas disse que ele precisava respeitar seus pais, que Jesus respeitava os seus, que o ventre de Maria era santo e o da mãe dele também, só isso! Pedi também que viesse à missa!”
Minha avó sempre terminava a história da seguinte forma: “Esse é o Padre Antonio, um transformador de pessoas!”
Saudades do Padre Antonio!
Renato Chimirri





