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O milagre do pequeno Noah

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Há momentos em que o tempo deixa de ser medido pelo relógio.

Passa a ser contado em lágrimas.

Em orações.

Em silêncios.

Imagino aqueles pais vivendo o que nenhuma mãe e nenhum pai deveriam viver. Receber a notícia de que um filho partiu é como ver o mundo apagar as luzes de uma só vez. Não existe preparo para isso. Não há palavras que consolem, abraço que baste ou lógica que organize o caos.

E então, quando tudo parecia encerrado, quando a dor já começava a escrever uma despedida precoce, aconteceu o impossível — ou aquilo que muitos chamariam de impossível.

O coração da esperança voltou a bater.

Duas horas depois.

Duas horas que, para qualquer calendário, representam apenas 120 minutos. Mas, para aqueles pais, foram uma eternidade. Um intervalo entre o inferno e o céu. Entre o luto e a vida.

A ciência fará o que lhe cabe fazer. Investigará cada detalhe, revisará procedimentos, buscará respostas. É assim que deve ser. A medicina cresce justamente quando enfrenta o extraordinário.

Mas existe uma dimensão que nenhum exame consegue medir.

A da fé.

Para alguns, foi uma rara ocorrência clínica. Para outros, um fenômeno ainda sem explicação. Para um pai e uma mãe, porém, foi o instante em que Deus devolveu o ar aos seus pulmões. O momento em que a palavra “filho” voltou a existir sem ser acompanhada da palavra “saudade”.

Vivemos tempos em que as notícias quase sempre carregam tragédias, violência e despedidas. Talvez por isso histórias como esta nos obriguem a parar. Elas nos lembram que, apesar de toda a tecnologia, de todos os diagnósticos e de toda a nossa certeza sobre as coisas, a vida ainda guarda mistérios que escapam às mãos humanas.

Há acontecimentos que não cabem em estatísticas.

Nem em prontuários.

Cabem apenas no coração.

O pequeno Noah talvez nunca saiba que, antes mesmo de aprender a caminhar, já ensinou uma cidade inteira a voltar a acreditar na esperança.

Porque, às vezes, quando tudo parece definitivamente perdido, a vida decide escrever mais um capítulo.

E esse capítulo, seja qual for a explicação que o futuro apresente, já nasceu com um nome que seus pais jamais esquecerão:

Milagre.

Com informações e imagem do G1 São Carlos

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