O misterioso caso das irmãs desaparecidas em São Carlos

A casa dos Vessler ficava no alto de uma colina em São Carlos, cercada por árvores retorcidas que pareciam cochichar entre si quando o vento soprava. Franz e Greta Vessler haviam deixado a Alemanha há anos, buscando um lugar tranquilo para criar suas quatro filhas: Ingrid, Liesel, Marta e Annelise. Eram meninas bonitas, de olhos claros e cabelos dourados, sempre vistas brincando no jardim, rindo e correndo entre as roseiras.

Mas algo começou a mudar.

A primeira a dar sinais foi Ingrid, a mais velha. Certa noite, Greta a encontrou sentada na beira da cama, de olhos abertos, murmurando palavras incompreensíveis. Seu rosto estava rígido, e sua pele parecia mais fria que o normal. Pela manhã, Ingrid não se lembrava de nada, mas franzia a testa sempre que ouvia falar do ocorrido.

Depois foi Liesel. A menina começou a falar com alguém que não estava lá, rindo sozinha em cantos escuros da casa. Quando os pais perguntavam com quem conversava, ela apenas respondia:

— Ele.

— Quem, Liesel?

— O dono da casa.

Franz e Greta trocaram olhares inquietos. A casa era deles. Ou ao menos deveria ser.

Marta passou a arranhar as paredes à noite. Annelise foi encontrada na varanda, com os olhos vidrados na tempestade, dizendo que “ele” logo as levaria.

Os Vessler entraram em pânico. Chamaram padres, benzedeiras, estudiosos do oculto. Nada adiantava. O comportamento das filhas se agravava a cada dia, e uma presença sombria parecia pairar pela casa. Certa noite, Greta acordou sobressaltada e viu Franz sentado à beira da cama, olhando fixamente para o corredor.

— Você ouviu isso? — sussurrou ele.

Foi quando perceberam. A casa estava em completo silêncio.

As meninas não estavam em seus quartos. A porta da frente se escancarava, sacudida pelo vento de uma tempestade que se formava sobre São Carlos. O casal correu para fora, chamando pelos nomes das filhas, mas apenas o trovão respondeu.

As meninas haviam desaparecido.

Buscas foram feitas, a polícia investigou, vizinhos foram interrogados. Mas ninguém jamais viu Ingrid, Liesel, Marta ou Annelise de novo. A casa dos Vessler foi abandonada.

Desesperados e consumidos pelo horror, Franz e Greta fizeram as malas e retornaram para a Alemanha. Nunca mais falaram sobre São Carlos, sobre suas filhas, ou sobre a noite do temporal.

Mas quem passava pela antiga casa dizia ouvir risadas infantis ecoando entre as paredes. E, se olhassem bem para dentro, podiam ver pequenas sombras correndo pelos corredores, desaparecendo na escuridão.

Este texto é um CONTO de ficção, portanto não se trata de realidade. A história não é verdadeira.