O preconceito contra bairros, algo que adoece São Carlos

Ali no Aracy tem um mundo a ser conhecido pelas pessoas

Em dois dias, dois crimes violentos foram registrados em São Carlos, um onde um senhor foi surpreendido por bandidos dentro de sua casa, assaltado e terminou amarrado na Vila Prado. Os ladrões queriam dinheiro, levaram máquinas de solda e também um veículo. O homem demorou um tempo para se libertar e certamente ganhou um trauma para o resto da vida.

O segundo, no dia de ontem, na rua Episcopal e envolveu três pessoas e acabou com, segundo o apurado, dois homens feridos e alegações diversas para o caso. Destruição de patrimônio, depois invasão de domicílio, sangue, susto e agora pessoas indiciadas e uma cena com as viaturas do Samu e da PM atravessadas numa das principais ruas do Centro, o que obrigou a polícia a praticamente concluir o caso no mesmo dia mostrando agilidade e destreza tanto na esfera da Polícia Militar, quanto da Polícia Civil. Contudo, as imagens violentas, o registro, jamais sairão da mente das pessoas.

No dia de ontem, depois das duas notícias dadas, algo me chamou a atenção: um comentário (foi uma ironia, pois a moça queria chamar a atenção para o problema do estereótipo) sobre os crimes e foi muito válido para uma discussão. A jovem disse: “Pensei que essas coisas acontecessem só no Cidade Aracy!”

De fato, muitas pessoas completamente insanas fazem esse juízo equivocado e errado de um dos bairros mais importantes de São Carlos e construído por gente trabalhadora, honesta e séria que é o Cidade Aracy.

O Aracy como próprio nome já diz, é uma cidade, tem de tudo e sobretudo, pessoas decentes, amigas e que contribuem diariamente com o progresso de São Carlos, de SP e do Brasil. É do Aracy que parte grande quantidade de pessoas que trabalham nas diversas empresas são-carlenses, sem contar os inúmeros empresários e comerciantes que mantém atividades neste pedaço querido de São Carlos. Como diz uma amiga que reside no bairro: “Aqui tem de tudo, você nem precisa ir ao Centro para comprar!”

Andando por lá temos essa exata noção, basta olhar a diversidade da população, dos serviços, do comércio e é possível ter uma exata ideia do que é o Cidade Aracy, de quem são aqueles que o constroem diariamente.

Pois é, daí alguns podem querer falar de violência, não é? Sim, podem, mas a violência não é uma exclusividade do Cidade Aracy ou de qualquer outro bairro de São Carlos, vejam os dois crimes narrados no início do texto, eles aconteceram na Vila Prado e no Centro, o mal feito não escolhe lugar, ele simplesmente acontece porque a sociedade é caótica e está desestruturada. Recentemente noticiamos um assalto horripilante que se deu numa casa no Jardim Ricetti, na principal rua do bairro. Novamente a família feita de refém. Alguns vão justificar: “Ah, mas os bandidos vieram da onde?” Gente, não é possível saber, dia desses a PM prendeu bandidos que moravam na região do Recreio São Judas Tadeu e isso não faz dos moradores deste local comparsas de crimes, é preciso acabar com esse preconceito calhorda e covarde que alguns tentam atribuir para locais de São Carlos ou de outros municípios, somos todos irmãos, temos muitos valores em comum, estamos enfrentando uma pandemia que tem feito muitos estragos.

O que é preciso reconhecer e temos o dever de fazer é com que o Estado atue nessa direção para procurar melhorar as condições de vida de quem mora em bairros com grande população como o Aracy, Santa Felícia e demais locais. Essas pessoas precisam de assistência à saúde funcionando, segurança, ruas limpas, iluminação e limpeza pública e não podem conviver com a falta diária de água, como acontece corriqueiramente. Eles pagam impostos tanto quanto os que moram no Centro, o dinheiro deles tem o mesmo valor.

Portanto, empatia nunca é demais. Amar o semelhante também, não! Você que não conhece a cidade e vive só no seu mundinho particular, quando toda essa pandemia arrefecer, pegue o carro e descubra o tamanho de São Carlos e vejas as cores, os amores e os ideais de quem faz esse município crescer diariamente. Vá conhecer as pessoas, elas são demais!

 

Renato Chimirri