
O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma, principalmente, em regiões de médias e altas latitudes
Quando um ciclone extratropical entra nas previsões do tempo, a atenção de meteorologistas e da Defesa Civil aumenta imediatamente. Embora seja um fenômeno relativamente comum no Sul do Brasil, ele pode provocar rajadas de vento intensas, chuva volumosa, queda brusca de temperatura, ressaca no litoral e transtornos em diversas regiões do país.
Nos últimos anos, o termo passou a aparecer com mais frequência nas notícias por causa de eventos que causaram prejuízos em cidades brasileiras. Mas, afinal, o que é um ciclone extratropical e por que ele merece tanta atenção?
O que é um ciclone extratropical?
O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que se forma, principalmente, em regiões de médias e altas latitudes. Diferentemente dos furacões, ele surge a partir do encontro entre massas de ar frio e quente, criando uma grande área de instabilidade na atmosfera.
No Hemisfério Sul, como ocorre no Brasil, os ventos giram em sentido horário ao redor do centro de baixa pressão. Esse movimento favorece a formação de nuvens carregadas, chuva e ventos que podem atingir velocidades muito elevadas.
Como ele se forma?
A formação acontece quando uma massa de ar frio avança sobre uma região ocupada por ar mais quente e úmido. Esse contraste gera instabilidade atmosférica e inicia um processo conhecido como ciclogênese, responsável pelo desenvolvimento do ciclone.
Quanto maior a diferença entre essas massas de ar, maior tende a ser a intensidade do sistema.
Quais são os principais efeitos?
Dependendo da intensidade e da trajetória do ciclone, os impactos podem incluir:
- ventos superiores a 80 ou até 100 km/h;
- chuvas moderadas ou intensas;
- queda acentuada das temperaturas;
- ressaca e mar muito agitado;
- queda de árvores;
- interrupção no fornecimento de energia elétrica;
- destelhamentos e danos em estruturas;
- transtornos no trânsito terrestre, aéreo e marítimo.
Nem todos os ciclones provocam grandes estragos. Muitos permanecem sobre o oceano, causando apenas mudanças no tempo e ventos moderados sobre o continente.
Ciclone extratropical é a mesma coisa que furacão?
Não.
Embora ambos sejam ciclones, eles possuem características bastante diferentes.
O ciclone extratropical nasce do contraste entre massas de ar frio e quente e possui núcleo frio. Já os furacões e tufões pertencem ao grupo dos ciclones tropicais, desenvolvem-se sobre oceanos muito quentes — normalmente acima de 26,5°C — e retiram sua energia do calor da água.
Outra diferença importante é que os furacões apresentam um “olho” bem definido nos casos mais intensos, algo que normalmente não ocorre nos ciclones extratropicais.
O que é um ciclone bomba?
O chamado ciclone bomba não é um fenômeno diferente, mas sim um ciclone extratropical que se intensifica muito rapidamente.
Ele recebe esse nome quando ocorre uma queda muito rápida da pressão atmosférica em seu centro — aproximadamente 24 hectopascais (hPa) em 24 horas, processo conhecido como ciclogênese explosiva. Esse fortalecimento costuma gerar ventos excepcionalmente fortes e tempestades mais severas.
O Brasil é atingido com frequência?
Sim.
A Região Sul é a mais afetada, principalmente durante o outono e o inverno. Em algumas situações, os efeitos também alcançam o Sudeste e parte do Centro-Oeste, com frentes frias, ventos fortes e queda nas temperaturas. O litoral do Sul e do Sudeste costuma registrar ressaca e ondas elevadas durante esses episódios.
Como se proteger durante a passagem do fenômeno?
Os órgãos de Defesa Civil recomendam:
- evitar permanecer sob árvores durante ventanias;
- retirar objetos que possam ser levados pelo vento;
- redobrar a atenção ao dirigir;
- evitar atividades no mar durante períodos de ressaca;
- acompanhar os alertas meteorológicos oficiais;
- acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193) em situações de emergência.

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