
A denúncia de um suposto caso de racismo (digo suposto porque isso se tornou caso de polícia e alvo de uma investigação que determinará os rumos da denúncia) na Prefeitura de São Carlos suscita o debate que deve ser feito na sociedade local: não há espaço para sermos racistas, homofóbicos, gordofóbicos ou qualquer outro “fóbico” em dias atuais.
A turma do “mimimi” e do “humor politicamente incorreto” pode até discordar, mas não existe pior humilhação para um ser humano do que ser discriminado por algo que ele é. Ser negro é motivo de orgulho, a multiculturalidade da África demonstra que a riqueza de se ter pele negra vem acompanhada de uma honra sem igual e também a certeza de que esta população contribuiu e contribui até hoje para construir o Brasil que temos. Sabemos que o país atualmente não é o ideal, está longe de ser, mas temos a precisão para dizer que com o apoio de todas as pessoas, independente de raça ou credo, conseguiremos construir um país melhor num futuro próximo.
Ao longo de minha trajetória profissional vi racismo velado e também escrachado em muitos setores da sociedade, na imprensa onde trabalho, nos locais onde estive cobrindo eventos e também nos setores políticos onde evidenciei que a participação dos negros ainda é muito tímida e talvez por isso esse flagelo do racismo ainda exista e nos atormente. A comunidade negra tão rica em contribuições ao Brasil merece ter maior representatividade no país e em São Carlos.
A Prefeitura de São Carlos no caso em questão tem de se posicionar, investigar, apurar e se for o caso, aplicar as sanções previstas em lei em que for, doa a quem doer. Não podemos compactuar com fatos deste tipo, e é para isso que as leis são confeccionadas para punir, dentro do Estado de Direito, eventuais transgressões que atinjam a sociedade. Não vou entrar no mérito do acontecido, não me cabe isso nesse momento, mas sim cobrar severamente que o caso não caia no esquecimento, afinal de contas esse país é taxado diariamente de ser uma nação sem memória, sendo assim é fundamental que comecemos a modificar essa realidade por aqui.
Agora, temos que aguardar a esfera policial fazer o seu trabalho, mas deixamos aqui a indignação que nos cabe num momento tão difícil do Brasil, com os ânimos tão acirrados pela divisão ideológica que a classe política e parte da imprensa insistiu em impor à nação e a partir deste momento assumir o compromisso de lutarmos para um mundo mais justo e com oportunidade dignas para todos. E isso tem começar a partir de São Carlos.
Renato Chimirri
Imagem de Gordon Johnson por Pixabay








