O REAL SENTIDO DO TRÂNSITO

(*) Francisco Pane Neto

No mês passado, o Policiamento Rodoviário da região de Ribeirão Preto potencializou o desenvolvimento de ações educativas de trânsito como parte da agenda da sexta edição do Movimento Maio Amarelo, que teve para o ano de 2019 o mote: “No trânsito, o sentido é a vida”.

A temática foi desenvolvida, lançando a proposta de que os adultos ouvissem mais os conselhos dados pelas crianças, as quais mesmo com ingenuidade e inexperiência perante a vida têm uma percepção e absorção do que é certo e errado mais eficaz e sem preconceitos quando comparadas aos adultos.

Diante do caminho proposto para a campanha, as ações educativas voltadas às crianças, os motoristas do futuro, foram priorizadas. Foi evidente e impressionante a facilidade com que os pequenos assimilaram conceitos básicos, estes que os adultos, relutantemente, insistem em negligenciar.

Através de brincadeiras apropriadas para o público infantil, conceitos importantes foram sedimentados (utilização do cinto de segurança, uso da cadeirinha e outros dispositivos de retenção, não utilização de telefone celular na direção de veículo, utilização da faixa de pedestres, o semáforo e seus significados, dentre outros). Importante ressaltar que durante essas atividades, as próprias crianças revelaram que aqueles que deveriam primar pelos bons exemplos e formação inicial, estavam “pisando na bola”, e na inocência própria das crianças contavam aos Policiais Militares Instrutores, algumas infrações cometidas pelos pais, avós, tios e etc. Não se esquecendo que “as palavras convencem, mas o exemplo arrasta”, como ensina o ditado.

Em face desta inquietante constatação, emerge uma necessária reflexão: Que tipo de legado é transmitido às nossas crianças?

É inquestionável o amor que os pais, avós e familiares em geral têm por suas crianças, todavia, paradoxalmente, assumem condutas irresponsáveis que, por vezes, expõem a segurança, a integridade física e a vida de seus mais preciosos tesouros.
Sem contar o péssimo exemplo nessa fase de sedimentação de caráter e valores que massificam o entendimento de que o infortúnio nunca baterá às suas portas e como consequência disso é possível verificar cada vez mais jovens condutores dirigindo após fazer uso abusivo de álcool e outras substâncias que comprometem a direção segura para eles e para todos os demais que com eles dividem o ambiente do trânsito. Qual parcela de responsabilidade de cada pai, mãe e familiares nesse processo? Lembrando que aquele que se omite também contribui para que se mantenha o status quo que se vê hoje.

O trânsito reflete o grau de evolução de uma sociedade, será que esse é o nível que desejamos?

O futuro pode e deve ser modificado pela atitude que é assumida no presente, aos que nada fazem ou aos que contribuem negativamente com a deturpação do caráter dos condutores do amanhã, resta reservar as lágrimas para derramá-las ante a terrível, violenta e precoce perda dos seus entes queridos em acidentes que poderiam ter sido evitados por meio do seu necessário e valioso exemplo.

“No trânsito, o sentido é a vida”!

(*) é capitão da Polícia Militar do Estado de São Paulo, exercendo a função de Comandante de Companhia do Policiamento Rodoviário na região de Ribeirão Preto/SP.