
Ela era rica, arrogante, implacável — e absolutamente inesquecível. Mais de três décadas após sua morte trágica na novela Vale Tudo (1988), a vilã Odete Roitman ainda é lembrada como uma das maiores antagonistas da teledramaturgia brasileira. Interpretada magistralmente por Beatriz Segall, a personagem ficou marcada não só por sua postura elitista e desprezo pelos “comuns”, mas também por frases cortantes, carregadas de ironia, preconceito e sarcasmo.
Odete não era apenas má. Ela era articulada. Cada fala sua soava como uma aula de crueldade refinada, onde o alvo era sempre alguém “abaixo de sua classe” — o que, para ela, significava praticamente toda a população do Brasil.
Confira abaixo algumas das frases mais memoráveis de Odete Roitman:
1. “O Brasil é um país de vagabundos.”
Talvez a frase mais lembrada da vilã, dita com frieza e desdém. Em poucas palavras, Odete sintetizava sua visão elitista do país e a crença de que o mérito deveria ser exclusivo dos mais ricos — especialmente dela mesma.
2. “Eu detesto gente pobre.”
A brutal sinceridade de Odete chocava, mas também escancarava uma elite que, muitas vezes, prefere esconder seu preconceito atrás de um verniz de polidez.
3. “Essa gente não tem o menor senso de ridículo.”
Sempre referindo-se aos personagens de classe média ou baixa, Odete usava esse tipo de comentário para desqualificar qualquer um que ousasse confrontá-la — especialmente a protagonista Raquel Accioli (Regina Duarte), que vendia sanduíches na praia.
4. “Essa mulher é uma ordinária!”
Odete não poupava palavras nem ao se referir a outras mulheres. Para ela, moral e bons modos eram monopólio da alta sociedade — e apenas quando lhe convinham.
5. “Você pode até nascer pobre, mas tem a obrigação de deixar de ser.”
Com essa frase, a vilã mostrava sua completa falta de empatia social, tratando a pobreza como uma falha de caráter ou de esforço, e não como fruto de desigualdades estruturais.
Mais do que uma simples antagonista, Odete Roitman virou símbolo de uma crítica social afiada. Ela era odiada por muitos, mas também fascinava o público com sua eloquência e inteligência perversa. Sua morte, a tiros, virou um dos maiores mistérios da teledramaturgia brasileira — e até hoje se fala em “quem matou Odete Roitman?” como uma espécie de marco cultural.
Ao lado de personagens como Nazaré Tedesco e Carminha, Odete ajudou a redefinir o papel das vilãs nas novelas. Com frases impiedosas e postura altiva, ela permanece viva no imaginário popular como a mulher que não tinha medo de dizer o que pensava — mesmo que fosse o pior.
Foto: Reprodução TV.









