Olga: a são-carlense que se recuperou inexplicavelmente da COVID, surpreendeu médicos e contou com a fé inabalável de sua família

No dia da alta

Por Renato Chimirri

Olga Cristiana Chefaly, 46 anos, é uma dessas pessoas que nasceu de novo, graças a sua fé, da sua família dos seus amigos e ao valoroso trabalho dos profissionais de saúde da linha de frente de combate ao COVID-19.

Entre 24 e 25 de março, ela precisou ficar em uma das UPAs de São Carlos, e já estava com o teste da doença positivo. Nos primeiros dias, antes da UPA, Olga teve sintomas gripais, diarreia, cólicas, dores musculares, cefaleia e febre. Aos poucos, ela viu a febre persistir e as dores de cabeça aumentarem.

Para piorar, Olga não estava sentindo falta de ar. Na UPA, tinha saturação 92%, mas passou a madrugada no oxigênio. Quando o paciente não tem falta de ar existe a chamada Síndrome do Comprometimento Silencioso dos Pulmões. Nestes casos, as pessoas chegam às unidades de saúde conscientes, usando celular, porém a saturação começa a cair sem que ela tenha sintomas.

Com Olga, o problema apareceu. Na manhã depois de ficar na UPA, tentaram retirar seu oxigênio, mas ela não consegui se manter. Era necessária internação hospitalar, mas não havia vagas em São Carlos. Contudo, ela conseguiu uma em Américo Brasiliense, no hospital estadual e por lá ficou de 25 de março até o dia 5 de abril. Neste período, como conta sua irmã, Nani Chefaly, foram orações diárias de toda a família, amigos e acompanhamento médico para que Olga pudesse vencer.

UTI e Fé

O drama da UTI chegou para Olga e sua família entrou em grande apreensão. “Quando ela foi para UTI, o que o médico falava, era que o estado dela era bastante grave, e para nos preparamos porque a qualquer momento ela poderia ser intubada! A intubação sempre foi o pavor da minha irmã!”, diz Nani.

Para piorar, o quadro foi ficando mais delicado.  “As lesões nos pulmões eram graves, e pediam para gente ter paciência porque o processo de inflamação demoraria! Coisa de duas ou três semanas para sair da UTI, depois recuperação no quarto!”, recorda. “Para complicar, mesmo com oxigênio, a saturação continuava a cair”, emendou.

Foi neste momento que a família católica entrou no campo da fé ainda mais de cabeça. “Fizemos uma corrente de orações muito forte e na segunda passada o médico me disse que ela tinha voltado a ter febre e que os pulmões estavam com bastante lesões, precisaríamos ter paciência!”, afirma.

Contudo, na terça passada um raio de sol apareceu. “Na terça, milagrosamente, ela começou a melhorar! Tudo mudou”, diz,

Nani vê a força da fé da família e dos amigos e a competência dos médicos como fundamentais para Olga melhorar subitamente. “A gente considera (a oração ajudou muito)  sim! Não de um dia para outro, mas na segunda ainda falavam de intubação, e na terça (inexplicavelmente) o quadro mudou”, recorda, dizendo que o corpo clínico achava que Olga demoraria mais tempo para se recuperar.

A inexplicável melhora de Olga foi comprovada quando ela saiu da UTI. Em dois dias, o oxigênio foi retirado e a saturação se manteve estável. “Todos os dias nos reuníamos em chamada de vídeo para fazermos as orações, agora ela terá que fazer acompanhamento laboratorial, fisioterapia respiratória para fortalecimento dos pulmões e voltará toda semana ao ambulatório para fazer tomografia e raio-x e acompanhar a progressão da melhoria dos pulmões, além de tomar remédio contra a trombose, pois no hospital minha irmã tomava quatro injeções contra a trombose por dia”, contou.

Olga se contaminou com a COVID, mas reconhece, segundo a família, que ganhou uma chance de viver e está disposta a fazer isso da melhor maneira possível.

Por isso, sua família produziu um vídeo para comemorar sua volta para a casa. Confira:

Vídeo da família