Onde você estava no dia 11 de setembro de 2001 quando o mundo iria acabar?

É fato que muitas pessoas que hoje acessam a internet ainda não haviam nascido, pois há 17 anos o mundo praticamente “acabou”. Em São Carlos eram por volta das 8h40 quando estava na esquina da 7 de Setembro com a Avenida e ia tomar uma café no Dona Júlia. Lembro que entrei no bar e vi o então vereador Azuaite Martins de França conversando com pessoas e comendo alguma coisa.

Foi neste momento que o balconista ergueu o volume, pois ouviu o famoso plantão da Globo. Carlos Nascimento estava na bancada e anunciava com cara de medo que um avião havia batido numa das torres do World Trade Center. Primeiro se pensou num acidente, numa tragédia com falha humana, mas aos poucos aquilo começou a tomar um vulto gigantesco, pois as informações, apesar da internet ainda um pouco incipiente, eram atualizadas a todo momento.

Pouco antes ou depois das 9 horas da manhã, Nascimento narrou o segundo avião batendo na outra torre de um dos edifícios mais famosos do mundo. O que era suspeita para mim e um monte de gente que acotovelava na frente da TV virou confirmação: os EUA estavam sob ataque!

Logo os EUA, nação que posa como “polícia do mundo”, que travou e trava guerras pelo globo terrestre como se fosse uma Roma Moderna estava de joelhos perante um ataque em sua maior cidade. As imagens eram assustadoras, pessoas caindo do prédio, fogo e a ilha de Manhattan completamente tomada pela fumaça.

Lembro que naquele momento a conversa era única: vai começar a 3ª Guerra Mundial, pois todos sabiam que os americanos não iriam deixar essa tragédia barata, o semblante das pessoas era medo, de angústia, por aqueles que morriam inocentemente na tragédia, por todos os que morrem no mundo inteiro diariamente por conta das políticas nefastas de exploração, mas também pelo medo do que poderia acontecer com o planeta.

Saí do Dono Julia e entrei no meu carro, liguei o rádio e  comecei a ouvir a Rádio Bandeirantes que falava ao vivo com seu correspondente em Washington DC, Eduardo Castro. Enquanto dirigia um turbilhão de coisas passava pela minha cabeça, rapidamente cortei o Centro e fui para a minha casa e as notícias dadas por Castro não eram boas. Ele falava do alerta vermelho, do exército americano nas ruas, do caos que vivia o país norte-americano.

Quando cheguei em casa, minha mãe estava com a TV ligada, ao colocar os pés na sala ouvi Carlos Nascimento dizer a seguinte frase: “Você está vendo uma das Torres do World Trade Center desabar, o que vai acontecer?”

Ninguém sabia o que poderia acontecer, certamente naquele momento o mundo caminhava para a Guerra, todos esperavam que o bélico presidente americano George W. Bush invadisse os países árabes que naquela altura já eram responsabilizados pelo o que era tratado pela mídia como atentado.

Foi um dia todo de expectativa, eu trabalhava no Jornal Primeira Página e depois fui para a redação onde ouvia todo o tipo de teoria, até que os próprios americanos haviam criado aquela tragédia.

Certamente, em minha carreira inteira, aquele 11 de Setembro foi o único dia em toda a minha vida que achei que o mundo como eu conheço iria se modificar completamente e que iríamos ver uma grande guerra.

Contudo, nada aconteceu dessa forma. A resposta americana foi aquém do que todos esperavam, Bin Laden, o suposto responsável pelos ataques, só foi abatido pelo governo Barack Obama e o capitalismo continuou a correr pelas suas esteiras mais perversas e exploradoras possíveis como se fosse a “The Hand” dos gibis da Marvel.

O 11 de Setembro matou milhares de pessoas, assim como outros atentados, outras políticas nefastas e outros governos matam diariamente e infelizmente o mundo desde aquela data mudou apenas para pior. A fome continua a ser o grande terrorista global.

Renato Chimirri