Opinião: Leiloar e abater animais não é melhor saída em São Carlos

Eu li o depoimento do ex-diretor do departamento de Proteção Animal da Prefeitura, Guilherme Marrara, que está bombando na internet sobre o leilão e abate de animais que estão sob os cuidados da administração municipal e concordo com ele em vários aspectos. Leiloar os animais e os encaminhar para abate, em minha modesta opinião, não é o melhor caminho para esta situação, porque eles já foram conduzidos para o posto da Prefeitura depois de se encontrarem em condições precárias e maus tratos.

Não acho que a Prefeitura devesse agir dessa forma, mas apenas procurar uma alternativa, como, por exemplo, colocar esses animais em projetos experimentais para crianças e com isso buscar parcerias com universidades e assim dar outro destino para esses bichos. Eu não sou vegano, consumo carne, porém gosto da sugestão de Marrara que diz que buscou convênio com a Unicep e o curso de veterinária para uma parceria que poderia ser importante tanto para a universidade quanto para a administração municipal e pergunto: por que isso não deu certo?

Queria cobrar os vereadores da Câmara Municipal a se posicionarem sobre este caso, porque afinal de contas, São Carlos poderia dar exemplo nessa área de proteção animal mais uma vez. Lembro bem do trabalho que se iniciou no distante governo Newton Lima e me recordo de um programa que eu achava o máximo, o “Carroceiro do Futuro”, onde os animais eram chipados e seus donos orientados, bem como assistidos. Hoje, não sei se isso ainda existe, mas penso, certamente, que a Prefeitura poderia de maneira geral fazer um trabalho interessante nessa área, assim como o faz no Parque Ecológico.

Sei que o atual diretor de Proteção Animal, Fernando Magnani, é pessoa das mais competentes e capacitadas e entende bastante da questão animal, mas sei também que uma Prefeitura tem muitas dificuldades e que a burocracia e as amarras do serviço público muitas vezes não permitem que bons projetos vinguem.

Na minha modesta opinião, como repórter, acredito que os animais que foram leiloados poderiam, por uma questão de respeito à causa da proteção, serem melhor tratados. Não é possível que não haja nenhuma saída jurídica para essa situação. Além disso, se esses animais fossem mais respeitados a Prefeitura poderia ser considerada mais simpática para quem apoia a causa de proteção a qualquer tipo de vida.

Em alguns momentos, pela minha experiência na imprensa, acho que as pessoas que estão na Prefeitura não pensam politicamente e não conseguem entender que seus atos têm implicações boas e ruins na comunidade.

É hora de analisar se realmente temos uma política efetiva de proteção animal em São Carlos. Lembrado sempre que a Prefeitura precisa dar exemplo aos demais cidadãos.

Renato Chimirri