Os 300 mortos de São Carlos na pandemia de COVID-19

Um cenário cada vez mais comum

São Carlos completou o cabalístico número de 300 vidas perdidas para a COVID-19 em pouco mais de um ano de pandemia. Isso dá quase uma morte por dia, só neste fim de semana foram oito óbitos e como sempre gosto de dizer: cada um que faleceu era o bem-querer de alguém, era a parte da família que está faltando agora na mesa do jantar, era o pai, a mãe, o irmão, o tio, o sobrinho, o neto, o avô, a avó ou a amiga que se foi. A COVID mata e não deixa ninguém nem se despedir da pessoas que se foram em um velório digno, tudo é às pressas, sem nada, só fica a dor, o sentimento de perda e a destruição que o vírus causa.

Eu vi isso acontecer logo no início quando um vizinho querido foi derrotado pela doença. A família nem teve como se despedir da maneira como estamos acostumados, vi outras pessoas morrerem e continuo vendo gente duvidando da existência da doença e defendendo tratamento que não funciona. Observei pessoas brigando pelo direito de aglomerar sem máscara ou então fazendo festas clandestinas e com isso ajudando o vírus a se espalhar mais e mais.

Uma fonte me contou que nos últimos dias as unidades de saúde tem sido bastante procuradas e isso dá um reflexo do que vem por aí, pois o mesmo aconteceu numa cidade um pouco maior que São Carlos. Estou falando de Franca, onde a demanda por testes aumentou novamente e a Prefeitura teve que reabrir uma unidade só para a doença, assim como ocorre em São Carlos com a UPA da Santa Felícia.

Muitas pessoas que estão trabalhando hoje louvam a oportunidade e está muito certo em se apegarem à ela, mas há um sinal claro de que o Estado está à espera de uma terceira onda quando vemos a notícia da compra de novos kits de intubação, ou seja, quem abriu tudo neste momento sabe o reflexo que teremos, pois a vacinação está lenta e somente com ela e medidas preventivas é que vamos sair dessa lona em que estamos e os pobres comerciantes não aguentam mais, pois estão cercados de políticos incompetentes tomando decisões estapafúrdias.

Hoje, todos em São Carlos conhecem alguém que teve COVID ou já perdeu alguém para a doença. Todos sabem como é estar mais perto do vírus, sabem também como é conviver com o negacionismo de alguns que ao invés de defenderem a vacina, passam a amar políticos incompetentes. Todos os médicos e cientistas sérios são uníssonos em dizer que se o Brasil tivesse feito o lockdown no início da pandemia e tivesse adquirido vacinas em agosto passado nossa situação não seria caótica como a que vivemos hoje, então, quem está errado? Médicos e cientistas ou políticos que só estão preocupados com a eleição do ano que vem?

Os 300 mortos de São Carlos são um alerta para a população se proteger, para não ficar aglomerando sem a real necessidade disso, para ir ao comércio somente se precisar, porque os comerciantes também precisam vender e para que não caiamos em negacionismo precoce de gente sem noção da realidade.

Todas as pessoas que perderam entes queridos para a pandemia na cidade estão devastadas, especialmente porque elas sabem que as demais doenças não foram embora e continuam matando e que ignorância prospera por todos os lados quando o assunto é explicar para alguns porque é importante respeitarmos as regras sanitárias. Se São Carlos tiver aumento expressivo de casos, nossos comerciantes terão que fechar as portas, a cidade voltará para a lona e no futuro mais mortos entrarão para a estatística.

Os 300 de São Carlos mereciam um memorial para que nunca mais nos esqueçamos que essa peste nos atingiu um dia.

Renato Chimirri