Os números da dengue em São Carlos

Como todos sabem, tive dengue. Foi um período difícil, pois é uma doença terrível, acho que posso classifica-la como uma gripe forte, mas sem a coriza habitual com a qual estamos acostumados. Para piorar, depois que você se cura, a dengue ainda deixa algumas marcas por uns dias: um sono profundo, um pouco de cansaço e algumas coceiras, mas isso vai passando com o tempo.

Quem me conhece sabe, na minha casa nunca faltaram repelentes na parede, dedetização e limpeza, porém agora estou usando duas vezes por dia repelentes no corpo e aumentei a frequência do veneno dentro da residência, afinal a ideia é eliminar os pernilongos de uma vez por todas. Mesmo assim, já os encontrei aqui novamente.

Recentemente, vi a Prefeitura divulgar números, mais de 3 mil notificações (3470) e apenas 435 casos positivos e tendo a discordar frontalmente disso. Primeiro porque pelos mosquitos e a falta de limpeza, parte culpa da Prefeitura e outra do povo que é porco mesmo, que voam em nossas casas é possível desconfiar que os números são maiores. Depois, pelo que ouvi de algumas pessoas, uma delas me contou que uma conhecida foi até uma unidade de saúde com os sintomas e que saiu de lá com um pedido de exame, mas que o mesmo foi marcado para sete dias depois do atendimento, ou seja, quando a cidadã provavelmente não teria mais a doença. Aqui fica a pergunta: como medir isso de verdade se o exame é lento e nem todos vão atrás por que normalmente se marcou a coleta para depois que o paciente sarou? Não estou criticando A ou B, mas querendo entender como o sistema pode ser tão falho e inconclusivo. Alguém explica?

Um outro relato diz respeito a irmã do meu companheiro de imprensa, Pedro Maciel. Ele me contou nessa sexta que ela estava com a versão hemorrágica da doença e que quase entrou em óbito, passou muito apertado, ficou uns dias na UTI e que somente nesta sexta começou a andar novamente, porém segurando e se apoiando nas pessoas. Está se recuperando, mas passando por graves problemas. Diante disso, tiro a questão: será que temos mais pessoas come esse tipo de dengue em São Carlos? Há registros disso? Nesse tipo de epidemia (se é que ela existe no município) temos que trabalhar com números reais.

Um outro relato que vi de um médico, ex-secretário de Saúde do governo Oswaldo Barba, Marcus Bizarro. Ele foi taxativo nas redes sociais ao dizer que há uma epidemia de dengue em São Carlos e até o momento não vi ninguém da Prefeitura dizer o contrário ou refutar a tese defendida pelo ex-secretário.

Os relatos de pessoas doentes na região onde mora meus pais também existem, somente em frente à casa deles são duas pessoas que estão com a doença e ouvi outras argumentando que conhecem alguém ou estiveram perto de outros que tem os sintomas ou que estão com a dengue.

Portanto, acho que é o momento de se pensar no que vem sendo feito na limpeza da cidade ou melhor, o que não está sendo feito. Hoje mesmo, por exemplo, na praça Coronel Salles, haviam garrafas acumulando água parada, criadouro ideal para o mosquito transmissor e esse cenário se repete em outras praças do Centro e depois é replicado para toda a cidade. É preciso que falemos disso, ou vamos empurrar para baixo do tapete este tipo de caso?

É função da Prefeitura nos meses de janeiro, fevereiro e março promover em TODA a cidade o mutirão de limpeza que pelo menos ajude a aplacar a dengue. No governo Altomani, que por sinal não deixou saudades nos são-carlenses, tivemos a primeira epidemia da história, espero que no governo Airton não vejamos a segunda se instalar. Esses números precisam ser discutidos severamente.

Renato Chimirri