Os pontos onde pessoas são frequentemente abordadas em São Carlos

Carlos Botelho: trabalhadores reclamam/Foto: Maurício Duch

Na semana passada relatamos aqui o desconforto de estudantes (e também a população em geral) com sucessivas abordagens que as pessoas estão sofrendo na Alameda das Gardênias. Como mostramos, pessoas que saem naquela região para seus afazeres mais simples como ir a um mercado, farmácia, padaria e etc acabam abordadas por gente que fica na região, sendo que muitas delas agem em grupo. Alguns casos foram registrados até com perseguição por meio de bicicletas.

Cruzamento da Avenida São Carlos com a Alameda das Gardênias

A primeira reportagem gerou uma investigação mais profunda e conseguimos mapear outros pontos onde as abordagens a trabalhadores do comércio e pessoas comuns que apenas passam por determinada região tem sido frequentes. Infelizmente, muitos locais estão tomados por pessoas que tem um alto grau de vulnerabilidade social, não tem um emprego, estão a mercê das drogas e do uso de álcool, o que só evidencia que as políticas de inclusão sejam elas municipais, estaduais ou federais inexistem e criam um exército de pessoas que precisa de ajuda frequente para tentar sair desta situação tão dura e penosa. Muitos tem fome e não tem o que comer, a falta de alimentação digna voltou a ser um dos flagelos do Brasil.

Voltando aos pontos, um destes é a Desembargador Julio de Faria com avenida Henrique Gregori/Grécia. Segundo consta, basta alguém passar por ali que as abordagens são frequentes. Não são todas as pessoas que abordam os transeuntes, mas apuramos casos em que há uma abordagem (as vezes em grupo) quando uma pessoa sai do supermercado que fica na região e isso incomoda bastante os moradores das imediações.

Um ponto que fica perto da Alameda das Gardênias e que tem gerado problemas corriqueiros é a esquina do Carrefour na avenida São Carlos com a Eugênio de Andrade Egas e a região da Praça Independência. Ali, é uma área que sempre tem pessoas em situação de vulnerabilidade social e os pedidos de ajuda seja para pedestres ou pessoas que param seus veículos nestas vias são frequentes. Há relatos de que pessoas invadem até estacionamento de comércios e tentam cobrar para “olhar os carros” que estão parados nestes lugares. Também apuramos xingamentos a funcionários, o que gera muita expectativa e apreensão entre os trabalhadores. Todos tem medo de furtos e assaltos.

Vale citar também que a região da rodoviária é um dos locais onde mais são registradas abordagens. São muitos os casos de pessoas em situação de vulnerabilidade social nesta parte da cidade que cometem pequenos furtos, abordam pessoas, pedem dinheiro e praticam outros delitos. Muitos moradores chegaram a deixar as imediações porque não aguentavam mais este tipo de situação.

Há reclamações também de abordagens frequentes na rua Cidade de Milão, internautas relataram experiências difíceis nesta área. O mesmo tem se repetido na Praça Catedral, pessoas que passam habitualmente pelo lugar dizem ser frequentes as abordagens e os constantes pedidos de ajuda e até algumas ameaças e pequenos furtos.

Um fato que chamou a atenção foi a questão das abordagens no quadrilátero da Carlos Botelho com a avenida São Carlos com a 9 de Julho e a rua Episcopal. Pessoas que atuam no comércio desta região relataram que tem sido incomodadas com frequência. Elas relataram até que já sofreram perseguição por alguns que andam por esta área. As trabalhadoras contaram que não são todos, mas que a situação é preocupante.

Existem outros pontos de São Carlos onde as abordagens ocorrem com relativa frequência e aqui reiteramos que a ideia não é culpar as pessoas, pois ninguém pede para estar em situação de vulnerabilidade social, mas a ideia é mostrar que o sistema é muito falho e que nossa sociedade não é capaz de dar dignidade para quem entra nesta situação tão dolorida e que deveria sensibilizar as autoridades de plantão em todos os poderes da República.

A dor do outro pouco tempo importado nos dias atuais e não deveria ser assim.

Fotos: Maurício Duch