
Enquanto o Brasil sai do Mapa da Fome e o presidente Lula discursa na FAO — órgão das Nações Unidas ligado ao combate à fome —, em São Carlos seguimos com os restaurantes populares fechados desde maio. Até o momento, não há qualquer perspectiva de reabertura ainda neste ano. Pelo que se comenta nos bastidores, é provável que esses importantes equipamentos públicos só voltem a funcionar em 2026. Sinceramente, torço para que isso aconteça antes. Sabemos da crise financeira municipal, mas temos que buscar alternativas.
Qual é o ponto disso tudo? É simples: estamos perdendo um serviço público essencial que ajudava diariamente milhares de pessoas com algo que deveria ser básico em qualquer sociedade — comida de qualidade na mesa de quem mais precisa.
O programa dos restaurantes populares atendia justamente aqueles que, em algum momento da vida, já sentiram o medo do “fantasma da fome”. Só de pensar nisso, eu — que, graças a Deus, nunca passei fome — já me entristeço profundamente. Afinal, a base de uma sociedade saudável está em refeições equilibradas, e os restaurantes populares ofereciam isso a um preço acessível e justo.
A Prefeitura chegou a mencionar que o programa seria redimensionado para garantir atendimento às pessoas que realmente precisam. Concordo plenamente. Esse serviço deve, sim, priorizar quem sente a barriga roncar e, por falta de oportunidades — seja de estudo, trabalho ou renda —, não consegue garantir alimentação de qualidade todos os dias. Enquanto boa parte dos são-carlenses consegue colocar comida saudável na mesa, três vezes ao dia, há uma parcela da população que vive à margem, esquecida e faminta.
Não podemos permitir que os restaurantes populares permaneçam fechados por tanto tempo. Estamos empurrando para debaixo do tapete uma política pública essencial. Seria importante que o prefeito Netto Donato buscasse apoio de parlamentares, do Governo Federal ou Estadual, para viabilizar a retomada desse serviço e atender, novamente, quem mais precisa.
A fome é uma dor dupla — mental, porque fere a dignidade; e física, porque faz o corpo padecer. E isso não pode continuar. Em uma cidade que ostenta o título de capital da tecnologia, estamos falhando, e muito, em defender o mais básico dos “doutorados”: o da humanidade.
Renato Chimirri









