Pandemia de Coronavírus dificulta o trabalho dos caminhoneiros

Rodando para mover o Brasil/Maurício Duch

A pandemia de Coronavírus tem imposto dificuldades em diversos setores da cadeia produtiva. Fábricas paradas por medo de contaminação, escolas sem aula, serviços de saúde com grande número de atendimentos e mortes registradas. Porém, um setor que já é bem sofrido e que neste período vê sua dificuldade logística ficar ainda maior é o de transporte de carga. A reportagem esteve num posto da cidade de São Carlos e conversou com profissionais que contaram um pouco da dificuldade de ser caminhoneiro nesse período de pandemia. Eles que levam os insumos para a nossa sobrevivência estão fazendo tudo praticamente na raça, porque a estrutura é pequena.

O caminhoneiro Marcio Pardini que atua nesta difícil profissão há mais de 15 anos contou que com a pandemia de Coronavírus a situação do dia a dia na estrada no interior de São Paulo é menos pior que, por exemplo, no nordeste. “No nordeste ou então em Minas Gerais está mais difícil, especialmente no que diz respeito à alimentação”, salientou.

Segundo ele, os postos estão servindo marmitex para os profissionais do volante, porém não se pode sentar à mesa para consumir a refeição. “A minha firma deu férias para alguns motoristas, folga para outros, trabalhamos numa escala de revezamento, mas não mandou ninguém embora”, afirma.

Já o bauruense Roni está no ofício há 14 anos e disse que roda mensalmente pelo menos 20 mil quilômetros realizando o transporte de alimentos. Ele explicou que como transporta este tipo de carga sente dificuldades em lavar o baú do seu veículo, pois este local precisa sempre estar em condições higiênicas adequadas para o transporte. Além disso, o caminhoneiro informou que há dificuldade em encontrar borracharias. “Temos que nos deslocar para lugares como a Washington Luís, Bandeirantes, essas rodovias, mas nós puxamos, por exemplo, na região do Mato Grosso, estamos com o acesso dificultado”, conta.

O caminhoneiro contou que as benfeitorias existem apenas em rodovias pedagiadas. Ele disse que companheiros de profissão que estão no norte e nordeste precisaram comprar alimentos em supermercados para não passar fome devido à falta de estrutura.

A profissão, uma das mais importantes do Brasil, não tem o devido reconhecimento, pois em estradas que não privatizadas os cuidados e a segurança para que esses trabalhadores desempenhem um papel fundamental para mover a economia brasileira são precárias. Os caminhoneiros são heróis que sem capa, mas conduzindo um caminhão fazem que o Brasil não pare e mereciam um reconhecimento bem maior das autoridades do aquele que é oferecido hoje.

 

Por Renato Chimirri

 

Fotos: Maurício Duch