Há histórias que não cabem em diagnósticos, prontuários ou laudos médicos. Elas se escrevem no silêncio de um quarto, no gesto simples de quem segura uma mão, na oração que sobe ao céu em forma de esperança. A história do padre Carlos Alberto Giacone é dessas: uma narrativa de fé, coragem e passos lentos, mas firmes, rumo à vida.
Foi em dezembro de 2021 que a palavra difícil — Síndrome Mielodisplásica — chegou como um visitante indesejado. A medula, fábrica silenciosa do sangue, já não trabalhava como deveria. Vieram as transfusões, a quimioterapia, o afastamento das celebrações, da paróquia, das aulas, do convívio. O altar cedeu espaço ao leito de hospital, e São Carlos ficou mais silenciosa sem a voz calma do padre Carlos conduzindo suas missas.
Mas o tempo da doença também se fez tempo de aprendizado. Em cada etapa, ele descobriu novos modos de celebrar: a cada gota de sangue recebido, uma liturgia de amor humano; a cada dose de quimioterapia, um ofertório de coragem; e agora, em cada infusão de células-tronco, um ato de fé no milagre da ciência que se entrelaça com a graça divina.
Dias atrás, apuramos que já são 220 dias desde o transplante. Em breve, receberá a terceira infusão de células. O caminho não é fácil, mas quem olha para o padre Carlos percebe que a serenidade ainda mora em seu olhar. E que, mesmo diante da incerteza, ele não deixou de agradecer: agradece a oração de quem reza em silêncio, agradece o carinho que vem de longe, agradece a cada irmão e irmã que, em sua dor, também encontra consolo em sua história.
Há quem diga que a vida é feita de passos. Uns largos, outros miúdos, alguns cansados, outros apressados. O padre Carlos segue caminhando — passo a passo, como gosta de dizer — mas nunca sozinho. Caminha amparado pela fé, pela ciência, pela família espiritual que se estende em cada canto onde alguém pronuncia seu nome em oração.
E se a enfermidade tenta impor pausas, a esperança insiste em escrever novos capítulos. A cada dia que passa, a cada célula que renasce, a cada coração que se une em prece, o padre Carlos nos ensina que viver é também confiar: confiar no tempo, confiar na medicina, confiar em Deus.
Que possamos segui-lo nesse caminho, não apenas como expectadores de sua luta, mas como companheiros de estrada. Porque sua vitória — temos certeza — também será nossa.
