Pediatra dá dicas aos pais e professores sobre o retorno das atividades escolares presenciais

Dra. Thais Bustamante Pediatra e Neonatologista fala sobre as aulas
A pandemia do novo coronavírus colocou o Brasil em quarentena há quase quatro meses. E nesse período, as famílias tiveram de se adaptar a uma nova realidade que envolve não apenas o home office e as tarefas domésticas, mas também os estudos e o entretenimento de crianças e adolescentes.

O cenário desafiador deixou muitos pais de “cabelo em pé”, mas, a perspectiva de retomada das atividades escolares presenciais, a princípio divulgada pelo governo do Estado de São Paulo para setembro, tem sido motivo de preocupação em muitos lares.

Seguindo o Código Penal e a Lei de Diretrizes e Bases, todo menor entre 4 e 17 anos deve estar matriculado em uma escola ou os pais estão cometendo crime de abandono intelectual. Com isso, é inviável tirar a criança da escola agora e só retornar sua matrícula em 2021.

A pediatra Dra. Thais Bustamante, da Sociedade Brasileira de Pediatria, compara o cenário de quarentena ao de uma guerra, no qual não apenas a liberdade é cerceada, mas também há crise sanitário-político-econômica que traz medo, angústia e insegurança nos adultos, com repercussão nos pequenos. “A depender da faixa etária, a manifestação desses sentimentos serão diferentes”, diz.

A médica orienta os pais a tentarem manter a calma e ensinarem as crianças sobre a importância da prevenção – o que inclui o uso de máscaras, o distanciamento social e a constante higienização das mãos. Tudo isso sem fazer alarde ou ameaças, como dizendo que a criança ou alguém querido poderá morrer se ela não fizer a prevenção corretamente.

A pressão para o retorno às aulas também deve ser deixada de lado. Tudo bem se o ano letivo for perdido. “Percebemos escolas, professores, pais e crianças se esforçando ao máximo para mudar a forma de ensino e permitir que a aprendizagem aconteça. Porém, peço aos pais tolerância, menos cobrança e menos culpa, não só com os filhos, mas também com eles próprios. Diante de uma situação inusitada e nada favorável, o que mais importa é manter as saúdes mental e emocional o mais equilibradas possível – a própria e a da criança”, afirma a pediatra.

A escola é um ambiente de socialização, afetos e amizades que favorece a aprendizagem, mas cabe a cada família avaliar, de acordo com sua situação financeira, idade e limitações da criança, se o momento de retorno é o mais adequado ou se é necessário aguardar mais um pouco em home schooling.
Dra. Thais Bustamante Pediatra e Neonatologista

Pediatra e Neonatologista pela UNESP

Mestre em Cirurgia Pediátrica UNESP

Pós Graduada em Nutrição Pediatrica pela Boston Medicine University