Mais de 60% das lavouras de soja na área de ação da Cotripal já foram plantadas. A emergência da cultura têm sido muito boa, auxiliada por temperaturas amenas. Para o gerente comercial de grãos da Cotripal João Carlos Pires, o preço da soja está um pouco abaixo dos dois anos anteriores. Com isso, mesmo que o custo da lavoura se mantenha, o rendimento acaba sendo menor.
Segundo João Carlos, a tendência atual é de que os preços na bolsa de Chicago se mantenham estáveis. Há fatores, entretanto, como uma queda na produção da América Latina, que podem influenciar o preço. João Carlos lembra que o câmbio pode afetar o preço da soja internamente. “A variável dólar é a maior incógnita, no que diz respeito ao que pode acontecer no futuro”, diz ele, acrescentando que os rumos da política brasileira podem afetar o câmbio, seja com valorização ou desvalorização do Real.
Segundo o engenheiro agrônomo Dênio Oerlecke, diretor técnico do Departamento Técnico (Detec) Cotripal, a área plantada com soja na área de ação da Cooperativa é de cerca de 90 mil hectares. Mas o milho também está com ótimo desenvolvimento, embora a área plantada seja de 6 mil hectares para silagem e de 2,5 mil há para grãos.
Dênio entende que o milho “esbarra”, às vezes, no aspecto comercial e outras na produtividade, “nós insistimos muito com o produtor na questão milho, que é fundamental para o sistema de rotação porém, realmente, quando o produtor faz as contas e vê o resultado financeiro, fica difícil optar pelo plantio do milho” explica.
Trigo e La Niña
Dênio explicou que o trigo colhido este ano ficou com uma produtividade bem abaixo se comparado ao mesmo período do ano passado. O clima, segundo ele, foi o principal responsável pela baixa produção, com excesso de chuvas na época de plantio e precipitações muito baixas em julho e agosto. Em julho, em Panambi, a precipitação foi de apenas 20 milímetros, em média. À época da colheita por outro lado, bastante chuva, o que ajudou a diminuir a qualidade das sementes.
Sobre o fenômeno La Niña, que deve agir no verão, Dênio entende que o produtor não deve ser motivo para excessiva preocupação dos produtores. “O La Niña significa que teremos menos chuva, mas isso não significa que termos problemas com a safra, porque pode ser menos chuva mas bem distribuída, e aí o produtor faz uma safra normal, como já fizemos safras normais em anos de La Niña, como também já tivemos alguns problemas”, comenta o diretor técnico da Cotripal. O engenheiro agrônomo explica que os centros de meteorologia apontam para um La Niña tão pronunciado, o que traz certa tranquilidade no que vem por aí, em relação a clima.
João Carlos e Dênio foram entrevistados, nesta terça-feira (14), na Rádio Sorriso FM.
Colaboração: Jornalista Hugo Schmidt









