Pontos que o Governo Netto Donato precisa se atentar para 2026

A política exige diálogo

Este primeiro ano da gestão do prefeito Netto Donato foi marcado por desafios que o próprio governo municipal precisa levar em consideração em 2026, caso queira corrigir rumos e avançar. O primeiro deles diz respeito à limpeza urbana em São Carlos. A cidade enfrenta problemas recorrentes nessa área há bastante tempo, e a situação tem se agravado. Seria fundamental a apresentação de um cronograma de limpeza firme, eficiente e transparente à população. Atualmente, há mato alto inclusive na região central, em avenidas importantes e em ruas de grande fluxo de veículos e pedestres.

A segunda questão envolve os Restaurantes Populares. A reabertura desses equipamentos públicos representa mais do que uma política assistencial: é uma resposta direta à população de baixa renda, sinalizando que a Prefeitura se preocupa com quem mais precisa. Garantir comida de qualidade a preço acessível é também uma política de saúde pública. Sem essa iniciativa, o governo corre o risco de transmitir a imagem de estar distante das camadas mais vulneráveis da população.

Outro ponto que merece atenção especial por parte do poder público é o antigo problema da falta de água, especialmente na região do Santa Felícia. Trata-se de uma situação que se arrasta há décadas. Embora existam investimentos em andamento por parte do SAAE, como as obras no Cedrinho, a população aguarda com expectativa a aplicação dos recursos conquistados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Quando esses recursos estiverem disponíveis, é essencial que sejam utilizados para enfrentar de forma definitiva esse problema, que tem causado sofrimento constante aos moradores de um dos bairros mais populosos da cidade, já exaustos de tantas reclamações sem solução.

O trânsito é mais um tema que exige análise cuidadosa de quem está no comando. São Carlos possui verdadeiros “nós górdios” na mobilidade urbana. A região do Savegnago, na Marginal, é apenas um exemplo. Em muitos pontos da cidade, idosos e pedestres em geral encontram dificuldade para atravessar as vias, já que grande parte dos motoristas não respeita a prioridade do pedestre. Cabe à secretaria responsável apresentar respostas e intervenções concretas, pois as demandas se espalham por todo o município.

Também não se pode deixar de abordar a proposta de São Carlos como cidade inteligente e tecnológica. Para que esse título seja legítimo, é necessário que a inovação esteja presente no cotidiano da população, e não apenas em eventos, feiras ou discursos. O grande desafio do poder público é transformar tecnologia e inteligência urbana em soluções práticas que melhorem a vida das pessoas no dia a dia. Se houver comprometimento e trabalho sério, avanços são possíveis.

Por fim, fica uma sugestão essencial: ao receber críticas, desde que feitas de forma respeitosa, o governo deve saber ouvi-las, refletir e tentar enxergar a situação pelo olhar de quem critica. A crítica é parte fundamental da convivência democrática e é por meio dela que se constroem políticas públicas mais eficazes e uma cidade melhor estruturada, especialmente em um município do porte de São Carlos.