Praça da Rodoviária se transforma em ponto de encontro de moradores de rua

Uma situação complicada

Muitos são-carlenses tem observado que houve um aumento expressivo de moradores de rua na cidade. Em praticamente todos os cruzamentos movimentados eles estão pedindo dinheiro, alguma doação. Na medida do possível quem pode ajuda e também surge o dilema de se dar ou não aquela contribuição. Vale a pena?

No Centro, eles estão por toda a parte. Você anda no Largo Santa Cruz e encontra com eles, passa na Baixada do Mercado e estão por ali, pelas ruas do Centro Comercial é possível encontra-los andando por todas as partes e fica a impressão de que o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social só cresceu com a pandemia de COVID-19.

Um dos locais preferidos por eles é a Praça 15 de Novembro, sempre que se passa por ali é possível ver moradores de rua e em todos estes locais sempre temos informações através das forças de segurança que há o pequeno delito e até os crimes mais graves. Normalmente são pequenos furtos para o consumo de droga, porém recentemente tivemos um assassinato no Centro de São Carlos enquanto algumas pessoas dormiam no Largo São Benedito.

Hoje, a grande concentração de moradores de rua está na praça ao lado do Terminal Rodoviário. Ela foi praticamente tomada por eles e no local há consumo de drogas, bebida, dispensa de marmitas de comida, afinal de contas essas pessoas não tem onde ficar e precisam sobreviver ao tempo, ao frio, às chuvas (neste momento escassas), e a violência urbana que os cerca.

A melhor maneira para tentar ajuda-los é entender a situação e ver o que é possível ser feito por eles, mas sabemos que o poder público tem em mãos um desafio dificílimo de ser vencido, pois é comum que muitos deles não aceitem a ajuda e prefiram seguir suas vidas de maneira solo.

Alguns com quem conversamos relatam que estão passando de quatro a cinco cidades por mês, outros que resolveram morar na rua porque não se davam com as famílias e outros que não querem ter um teto e preferem viver assim (essa é uma minoria). Muitos sonham em voltar para a casa, para ver pais, filhos, esposa e outros parentes, mas a condição de sanidade mental já foi embora há tempos e assim eles sequer lembram de que cidade vieram, com dois isso ocorreu durante nossa conversa.

Muitos falam realmente o que tem acontecido: “As cidades, ninguém se importa com a gente, vamos indo de município em município”.

A realidade tem sido essa, a expressiva quantidade de pessoas na praça ao lado do Terminal Rodoviário é um reflexo do caos social em que vivemos e as operações para dispersar essas pessoas também não vão adiantar muito, pois se saírem deste local vão formar grupos em outras regiões. Política higienista não funciona.

O problema é bem mais profundo, é uma questão de política de estado que vai da educação ao emprego e que há muito tempo no Brasil está errada. A desigualdade é uma indústria que cria novas mercadorias todos os dias.

A Praça da Rodoviária é um depósito de almas perdidas.

Renato Chimirri

Fotos: Maurício Duch