Prefeitura de Ibaté inaugura Centro de Tratamento do Pé Torto Congênito no dia 13 de março

Tratamento em Ibaté

A Prefeitura de Ibaté inaugura no próximo dia 13 de março, às 14 horas,
o Centro Especializado no Tratamento do Pé Torto Congênito.

Implantado em parceria com o Rotary Club Internacional, o Centro
funcionará no Ambulatório Médico Municipal “Dr. Ivo Morganti” e visa
atender pacientes, 100% gratuito, através do Método de Ponseti.

Em um projeto iniciado em 2016, o Rotary Club Sudeste e Iowa nos EUA,
treinaram 50 médicos do Brasil, durante dois anos. Serão instaladas 50
Clínicas Rotary de Tratamento de Pé torto Congênito por todo o país.
Ibaté está na seleta lista do Programa “Erradicando o Pé Torto no
Brasil”.

O prefeito José Luiz Parrella (PSDB) recebeu com grande entusiasmo o
projeto. “O Dr. Ricardo Inneco nos procurou e apresentou esse programa,
que me chamou muito a atenção. Procuramos atender todas as solicitações
e, com muito orgulho, vamos inaugurar esse Centro no próximo dia 13 de
março”, relatou.

Zé Parrella destacou o baixo custo para a implantação do projeto e a
importância na criação do Centro. “Se observarmos a grandeza desse
programa que trata o pé torto congênito, teremos um investimento
baixíssimo. Apenas tivemos que adequar o prédio para receber de maneira
correta as salas e equipamentos necessários”, contou.

O prefeito relatou que Ibaté, com toda certeza, se tornará referência no
tratamento do Pé Torto Congênito. “Não tenho dúvidas de que o trabalho
do Dr. Ricardo, somado ao apoio da nossa administração, será reconhecido
nacionalmente e nossa cidade será referência nesse tipo de tratamento”,
afirmou.

O ortopedista pediátrico, inscrito na Sociedade Brasileira de Ortopedia
Pediátrica, Dr. Ricardo Innecco de Castro, conta que já realiza esse
tratamento no município. “A ideia de trazer para Ibaté veio após muitas
conversas com a diretora municipal de Saúde, Elaine Sartorelli, que
sempre me deu apoio para o tratamento das crianças”, contou o médico.

Depois de inaugurada, a Clínica vai atender toda a região coração,
através do encaminhamento via CROSS (Central de Regulação de Ofertas de
Serviço de Saúde), assim como, via Clínicas de Referência Rotary. “Vamos
nos tornar referência nesse tipo de atendimento e atender mais de 1500
crianças por ano, em todas as clínicas, dando um atendimento adequado e
rápido aos portadores desta deformidade, que antes não tinham acesso ao
método de Ponseti”, finaliza Dr. Ricardo Innecco.

PÉ TORTO CONGENITO – PTC

Também conhecido como pé equino cavo varo idiopático, devido a posição
do pé ao nascimento e não ter uma causa concreta, o PTC é a deformidade
congênita mais comum nos pés das crianças. Acomete cerca de 1 a cada 756
nascidos e acredita-se que no Brasil nasçam cerca de 4000 crianças com
PTC todos os anos.

O motivo do desenvolvimento anormal do pé é um desbalanço muscular de
toda a perna do feto, que faz com que as estruturas da parte interna
tenham um crescimento mais lento do que os músculos externos. Existe o
fator genético, ainda não identificado, o que faz com que, parentes de
primeiro grau apresentem uma possibilidade 10 vezes maior de possuírem o
PTC.

O Pé Torto pode ser diagnosticado na gestação, durante os exames de
pré-natal. O posicionamento para baixo e para dentro dos pés assusta aos
familiares ao nascimento, e em geral, devido à falta de conhecimento e
informações buscam tratamentos alternativos ou simplesmente não buscam
nenhum.

Tratamento anteriores, muito ainda utilizado em alguns centros,
consistem em correções forçadas com gessos, que praticamente deformam os
pés das crianças, seguida de vários procedimentos cirúrgicos extensos,
que embora na maioria alcançam pés plantígrados estes muitas vezes eram
rígidos e dolorosos.

Desta forma, uma criança portadora de Pé Torto, quando conseguia um
tratamento médico, era em média, submetida a 3 procedimentos cirúrgicos,
gerando custos elevados a família e ao sistema de saúde, seja ele
público ou privado.

Crianças não tratadas evoluem com deformidades graves dos pés, sendo
muitas vezes estigmatizados na sociedade, excluídos dos estudos, mais
uma vez onerando a saúde pública e quando adultos, muitos não se inserem
no mercado de trabalho, vivendo muitas vezes as custas do governo.

O MÉTODO DE PONSETI

Professor Ignacio Ponseti, médico espanhol, professor benemérito da
Universidade de Iowa, desenvolveu o método de correção com manipulações
gessadas na década de 60. Seus primeiros relatos mostravam resultados
promissores precocemente, entretanto com alto índice de recidivas, o que
levou a comunidade ortopédica ao ceticismo quanto a validade do método.

Estudos posteriores e reconhecimento da necessidade de complementação do
tratamento com uso das órteses por tempo bem determinado, mostraram que
a técnica alcançava resultados próximos a 90% de ótimos resultados, com
baixo custo e pés moveis e indolores, após series de 6 a 8 gessos,
semanais, seguidos em 80% dos casos, de um pequeno procedimento
cirúrgico que pode eventualmente ser realizado ambulatorialmente.

Sendo assim, a partir do início dos anos 2000 o método se consolida como
o ideal para tratamento da patologia do PTC em todo mundo, de fácil
reprodução e realizável, com treinamento adequado, em qualquer parte do
mundo.