Na cidade o clima é de férias, mas para o campo “férias” é uma palavra que não existe. A produção no meio rural dura o ano inteiro. Produtores trabalham de segunda a segunda e, mesmo assim, nem sempre são valorizados. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela, Rogério Heermann, esteve na Rádio Sorriso para entrevista e falou sobre a vida do produtor rural.
Atualmente, a produção de aves e suínos no Município é feita em associação com empresas integradoras. Dessa forma, o agricultor fornece o galpão e sua mão de obra, enquanto a empresa oferece os animais. Sobre a produção dos animais Heermann comenta: “Hoje temos uma genética avançada. Anos atrás você levava um ano para ter um porco de 80 ou 90 kg, hoje você tem esse animal em poucos dias. O trato também é diferente hoje em dia”.
Quanto à criação de aves e suínos o Sindicato interfere somente quando acontece casos de a empresa não pagar o produtor, por exemplo. No entanto, a produção de leite precisa de mais atenção.
A PRODUÇÃO DE LEITE
Nessa esfera o STR envolve-se mais. “Ali há mais negociação diretamente com a empresa que compram do produtor” explica o presidente.
Nesse ano, o leite Uruguaio esteve em pauta inúmeras vezes. O problema é que o Brasil não possui cota para importar este leite. “Pra Argentina existe uma cota. Importou tantas toneladas, tem que parar” contesta Rogério. O Uruguai é diferente, porque não produz todo o leite que exporta. Além disso, não se sabe a origem e qualidade, já que o leite chega em pó no Brasil. O presidente lamenta: “O nosso produtor de leite em 2017 não foi nada bem, praticamente pagou para trabalhar”. Atualmente, o produtor recebe de 70 centavos á R$1,10 por litro.
O ideal seria consumir o leite gaúcho, de cooperativas locais. “Assim você sabe a origem: é dos nossos agricultores, é um leite puro”.
REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Desde 2016 os produtores rurais realizam manifestações contra algumas propostas da reforma da previdência. Primeiramente, o motivo dos protestos eram as mudanças na idade em que o produtor iria se aposentar. A mudança alteraria para 65 anos a idade da aposentadoria para homens e mulheres. Hoje, a idade para se aposentar é de 55 anos para mulheres e 60 anos para homens.
Atualmente, o motivo das contestações é que “eles querem que o agricultor contribua mensalmente para a previdência” explica Heermann. O produtor já contribui com o Fundo Rural: 2,3%. Destes, 2,1% são para o caixa da previdência e 0,2% vai para o Senar – para cursos para os agricultores. Além disso, o agricultor aposenta-se somente com um salário mínimo, independente de produção.
Outra preocupação é que o jovem não tem permanecido no meio rural. Para Heermann, isso mostra a falta de motivação que os agricultores vem enfrentando. “Os preços não colaboram. Ele planta e não sabe o quanto receberá pelo saco de milho ou soja”.
“Com um governo que pensa assim, o País não vai pra frente” conclui o presidente do STR.









