Primeiro equipamento portátil para desinfecção de máscaras contra Coronavirus é validado na Unicamp

Testes do equipamento no Laboratório de Virologia da Unicamp (Crédito: Leonardo Heise)

Testes realizados na Unicamp validaram eficácia de equipamento
desenvolvido por empresa de Piracicaba (SP); hospitais, unidades de
saúde e empresas serão beneficiados com invento acessível para reusar
máscaras e EPIs

Um dos maiores gargalos e desafios que hospitais e outras unidades de
saúde, além de empresas de diversos segmentos têm  passado no
enfrentamento da pandemia de Coronavírus está relacionado à desinfecção
dos chamados EPIs – equipamento de proteção individuais, como máscaras,
luvas, além de instrumentos cirúrgicos etc. Porém, essa situação irá
mudar ainda neste mês de abril, pois de modo inédito um renomado centro
de pesquisa atestou e indicou um novo aparelho em condições reais e
imediatas de uso com eficiência para desinfecção de vírus da família
Coronavírus.

Com testes iniciados há pouco mais de três semanas, a Unicamp
(Universidade Estadual de Campinas) atestou por meio de laudo liberado
no dia 23 de abril, que um aparelho que utiliza o gás ozônio,
desenvolvido por uma empresa de Piracicaba (SP), é indicado para
inativar os Coronavírus de EPIs como máscaras. É o primeiro laudo do
gênero no Brasil emitido tendo incluídos vírus da família Coronavírus
nos testes.

Para utilizar o aparelho não há necessidade de qualquer pré-disposição
para instalação, a não ser uma tomada elétrica. A máquina pode realizar
até 20 ciclos por dia, cada um com duração de uma hora, totalizando
1.000 unidades de máscaras em condições de reuso após o processo de
limpeza. Após esse período, os EPIs podem ser reutilizados, conferindo
segurança aos usuários e permitindo reduzir a dependência de insumos,
cada vez mais raros no mercado e com custos altos por conta da pandemia,
além da diminuição de lixo hospitalar gerado, um problema que vem se
agravando com a crise. “Durante os testes na Unicamp, usamos um ciclo de
45 minutos para desinfecção viral por meio do ozônio”, explica o
empresário e inventor Carlos Heise, da Panozon Ambiental, empresa do
interior paulista responsável pela produção dos novos aparelhos e cuja
capacidade atual é fabricar 2.000 máquinas por mês.

Os testes foram conduzidos pela Profª Drª Clarice Weis Arns, que assina
o laudo e está ligada ao Laboratório de Virologia do Departamento de
Genética, Evolução e Bioagentes do Instituto de Biologia da Unicamp. A
conclusão do laudo diz: “Considerando que houve inibição da infecção
viral na máscara, pode-se concluir que a mistura do Gás Ozônio gerado a
45 minutos de exposição + tecido da máscara foi eficaz para a inativação
de partículas virais do Coronavírus e, portanto, recomendamos o uso como
potencial agente desinfectante para as máscaras testadas”.

Heise relata que a prioridade é atender pedidos da área de saúde, a
chamada linha de frente no combate à pandemia. Segundo Heise, como a
tecnologia é 100% nacional, no caso de necessidade de aumento de
produção, a linha de produção da empresa pode ser ampliada.
O gás ozônio é conhecido há décadas como um poderoso desinfectante para
vírus, bactérias e fungos. “Vírus encapsulados como o H1N1 e os da
família Coronavírus não resistem à ação do ozônio, que destrói a camada
lipídica protetora desses tipos de organismos. O desafio era testar com
o Coronavirus, que é o grande problema mundial atualmente e, felizmente,
o aparelho foi efetivo na eliminação das ameaças”, comemora Heise.
O desenvolvimento do aparelho foi rápido, conta o empresário paulista:
“Já temos quase 20 anos de experiência do segmento, com dezenas de
aplicações e aparelhos para tratamento de água e ar com ozônio. Como já
possuíamos um aparelho para desinfecção de ar ambiente optamos por
adaptá-lo com o início desta crise mundial para esta nova função. Ele
trabalha com desinfecção a seco e com temperatura ambiente, permitindo
que o gás do ozônio penetre em todos os pontos dos EPIs, inclusive nos
poros dos tecidos das máscaras. Este é um diferencial do aparelho em
relação aos que se valem de luz ou líquidos para a mesma finalidade”,
detalha o inventor, que é engenheiro eletrônico formado pela própria
Unicamp.

Ele informa ainda que qualquer material que não seja oxidável (exemplos:
objetos plásticos, de vidro, de aço inoxidável, máscaras, ferramentas,
panos e canetas entre outros) poderá ser esterilizado na máquina,
reforçando a facilidade de uso: “Basta ligar o aparelho na tomada e
colocá-lo num lugar firme e seguro como uma mesa ou estante. A partir
daí o uso é imediato. O consumo de energia é baixo, uma vez que a
potência da máquina é de apenas 70W. O gás O3, o ozônio, é gerado a
partir do próprio oxigênio, o O2 do ambiente, não sendo necessário
qualquer outro insumo adicional”, fala Heise.

Outra inovação do aparelho desenvolvido em Piracicaba e com recomendação
da Unicamp para eliminar Coronavírus é que ele possui sensor de falha
para garantir que o ozônio gerado é suficiente para cumprir seu
objetivo. Heise enfatiza a importância desse diferencial para a
segurança dos usuários com uma pergunta: “Como garantir que os EPIs e
outros objetos vão sair totalmente esterilizados uma vez que não
enxergamos os vírus e não sabemos quanto tem de ozônio dentro da câmara
durante a aplicação?”.

CABINE DE DESINFECÇÃO POR OZÔNIO – Neste dia 23 de abril a Prefeitura de
Piracicaba instalou na base local do SAMU um equipamento doado pela
Panozon Ambiental S/A, que também utiliza ozônio para desinfecção por
meio de pulverização de água numa estrutura de cabine. Este aparelho é
projetado para locais de grande circulação, como entradas de edifícios,
fábricas e supermercados.

“Esse equipamento inclui o gerador de ozônio e a estrutura da cabine.
Você também pode utilizá-lo junto com seu sistema de pulverização de
água, garantindo maior segurança para todos. Após a instalação do
equipamento no reservatório de água, o equipamento produz ozônio
suficiente para manter um residual do gás dissolvido na água. Após o
acionamento da bomba, haverá a aspersão do ozônio dissolvido na água em
forma de gotículas”, explica o funcionamento Carlos Heise.