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O professor em São Carlos não pode acabar aula e ser assaltado ao ir para sua casa

A violência que alcançou uma professora da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na saída da EMEB Artur Natalino Deriggi, em São Carlos, não é apenas mais um caso policial. É um sintoma grave de um problema estrutural: o abandono da segurança nas escolas e a naturalização do sofrimento de quem já carrega, diariamente, o peso de uma profissão historicamente desvalorizada.

Ser professor no Brasil é, antes de tudo, uma missão. É escolher formar cidadãos em meio a salários apertados, jornadas extensas, pressão emocional, falta de reconhecimento e, muitas vezes, estrutura precária. Seja na rede estadual ou municipal, os desafios são conhecidos e antigos. O que não pode se tornar rotina é a violência como mais um item dessa lista.

No caso ocorrido em uma escola municipal, a ausência de controladores de acesso e a demora no atendimento após o crime escancaram uma fragilidade que não pode ser tratada como exceção. Professores relatam sentimento de total vulnerabilidade. E com razão. Ninguém pode aceitar que educadores saiam para trabalhar — especialmente no período noturno — com medo de não voltarem para casa em segurança.

As medidas anunciadas, como a presença fixa de viatura da Guarda Municipal no horário das aulas noturnas, a instalação de holofotes para melhorar a iluminação, o restabelecimento da conexão das câmeras com a central de monitoramento e a disponibilização de botão de pânico, são passos importantes. Mas precisam deixar de ser respostas pontuais e se transformar em política permanente.

É urgente que toda a rede municipal passe por uma revisão completa dos protocolos de segurança. Isso inclui:

Essas medidas não podem depender de tragédias para serem implementadas. Precisam ser preventivas, estruturadas e contínuas. A escola deve ser espaço de aprendizagem, não de medo.

Quando professores ameaçam suspender aulas por falta de segurança, não se trata de radicalismo. Trata-se de sobrevivência. Trata-se de exigir o mínimo: condições dignas de trabalho. Profissionais que dedicam a vida a formar outras vidas merecem respeito concreto — não apenas discursos.

Valorizar a educação vai muito além de reajustes salariais ou campanhas institucionais. Começa por garantir que cada professor possa exercer sua missão com segurança, tranquilidade e dignidade. Isso é urgente. Para esta escola. Para toda a rede. E para o futuro que insistimos em dizer que está nas mãos da educação.

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