Professores de São Carlos lançam carta em defesa da vida das crianças, jovens, familiares e profissionais da Educação

Carta aberta de trabalhadoras/es da educação sobre o retorno das aulas presenciais:

Saudações a nossos estudantes e familiares, servidores das escolas, sr. prefeito, sras. e srs. parlamentares, conselheiras e conselheiros do Conselho Municipal de Educação e do Conselho Municipal de Saúde.

Somos professoras e professores das redes estadual e municipal em São Carlos, muitos filiados tanto à Apeoesp quanto ao Sindspam – E é por acreditarmos no poder da mobilização da classe trabalhadora para a garantia de seus direitos e de serviços públicos de qualidade que estamos aqui hoje apresentando este documento, esta carta- aberta.

Vimos, neste momento, falar enquanto representantes de escolas estaduais e municipais e, portanto, representando aqui muitos dos colegas que atuam nas escolas estaduais, nas municipais ou em ambas. Bom seria que professores fossem reconhecidos e valorizados para que pudéssemos trabalhar em regime de dedicação exclusiva a uma única rede ou escola, o que certamente melhoraria nossa qualidade de vida, nossas condições de trabalho e, obviamente, a qualidade da educação pública!

Nesta oportunidade, vimos a público manifestar nosso descontentamento por ocasião da reabertura das escolas estaduais. São mais de 132 mil vítimas da Covid-19 no Brasil, mesmo sem que as pessoas pertencentes à comunidade escolar – estudantes, professoras e demais servidores – estivessem circulando pelas cidades, e nem se deslocando entre suas casas e escolas ou compartilhando espaços, entre si, e depois em casa com familiares que possam pertencer ao grupo de risco.

No dia 13/08, o então secretário municipal de educação, anunciou que as escolas municipais não retornarão em 2020. Isso nos deu um alívio momentâneo, a rede municipal está correta por decidir não reabrir este ano, mas compreendemos que haja necessidade de garantir que todas as escolas de São Carlos continuem fechadas.

Não importa se os estudantes que retornarão às escolas são 10 ou 35%, ou apenas aqueles que não conseguiram interagir com professores durante estes seis meses. Será que estes não são exatamente os mais vulneráveis, aqueles com maiores chances de transmissão dentro de suas casas quando estiverem em movimento casa-escola-casa? E estas crianças podem ser assintomáticas, mas carregar alta carga viral, e, em casa, são cuidadas por pessoas que estão nos grupos de risco, como por exemplo, idosos. A volta de qualquer quantidade de alunos é um risco para estudantes, servidores das escolas e familiares.

Nossa posição é endossada pela Conselho Estadual de Saúde, e pelo exemplo das universidades públicas de São Carlos, a USP e a UFSCar. Estamos reivindicando o decreto municipal determinando que nenhuma escola possa reabrir durante o ano letivo de 2020.

Sabemos que o retorno às escolas vai impulsionar novas contaminações e não compreendemos a suposição de que algumas escolas estejam mais preparadas para reabrir do que outras ou que o risco de transmissão do novo coronavírus seja menor em umas que em outras. Um mês se passou desde a audiência pública. O município tem responsabilidade e precisa assumi-la; sentimos a necessidade de que o prefeito Airton Garcia, por meio de um decreto, determine o fechamento de todas as escolas de São Carlos, em defesa da vida!

Representantes da Apeoesp subsede São Carlos e do Sindspam, representados por uma comissão de educadores estaduais e municipais juntos, elaboraram os argumentos em defesa da necessidade do decreto apresentados nesta carta aberta.

Lembrando que a comissão de professores em defesa da vida e contra o retorno as aulas presenciais no ano letivo de 2020 surgiu dia 19/09 em menos de uma semana foram:

Vereadores que são contra o retorno das aulas presenciais no ano letivo de 2020: Contamos com apoios nesta demanda pelo decreto municipal, do secretário municipal de saúde, Marcos Palermo e sua petição contra o retorno das aulas presenciais dirigida ao Governador do estado de São Paulo, nos apoiam o Conselho Municipal de saúde, os vereadores, Elton Carvalho, Paraná Filho, Marquinho Amaral, Daniel Lima, Roselei Françoso, Malabim, Laíde da Uipa, Gustavo Pozzi, Cidinha do Oncológico, Azuaite Martins de França.

Publicamos a petição pública contra o retorno e solicitação de decreto municipal com professores das redes estadual e municipal de ensino com aproximadamente 900 cidadãos apoiando;

Levantamos os municípios com decretos municipais que proibiram o retorno das aulas nas escolas estaduais e municipais em meio a pandemia entre eles citamos Jaú, Barretos, Rio Claro, Santa Gertrudes e Carapicuíba, entre outras.

Protocolamos cartas solicitando posicionamento nas secretárias municipal de saúde e de educação, e no Conselho Municipal de Educação em relação ao decreto do prefeito;

 

Contamos com o apoio da sociedade, instituições, e agradecemos por defender as vidas!

ASSINE A PETIÇÃO!