Protestos deixam pelo menos nove mortos no Irã

Nove pessoas – seis manifestantes, um garoto, um policial e um Guardião da Revolução – morreram durante protestos noturnos na região de Isfahan, no centro do Irã, anunciou a televisão pública iraniana nesta terça-feira, dia 2.

Seis manifestantes morreram em confrontos com as forças de segurança, quando tentavam invadir uma delegacia da cidade de Qahderijan, na província de Isfahan, indicou a fonte.

Um menino de 11 anos morreu, e seu pai foi ferido por disparos de manifestantes em Khomeinyshahr, acrescentou a mesma fonte.

Um membro dos Guardiões da Revolução, força de elite iraniana, morreu vítima de um disparo de um fuzil de caça em Kahriz Sang, indicou a televisão estatal.

Na segunda-feira, as autoridades haviam anunciado a morte de um policial, vítima de um disparo de fuzil de caça, em Najafabad.

A televisão estatal indicou, por sua vez, que cerca de 100 pessoas foram detidas ontem à noite na província de Isfahan. Desde sábado, foram pelo menos 450.

“Pelo menos 200 pessoas foram detidas no sábado; 150, no domingo; e 100, na segunda”, declarou o subprefeito de Teerã, Ali-Asghar Nasserbakht, à agência de notícias Ilna, ligadas aos reformistas.

“A situação em Teerã é mais tranquila do que nos dias anteriores”, disse Nasserbakht.

O vice-governador afirmou também que, por enquanto, não pediu apoio aos Guardiões da Revolução, encarregados da segurança da capital e estacionados na base de Sarollah. Até agora, apenas a Polícia intercedeu.

O general Esmail Kosari, número dois da base Sarollah, declarou à televisão oficial que “não permitiremos, de modo algum, que a insegurança continue em Teerã”.

Protestos são pela situação econômica do país

 País submetido durante anos a sanções internacionais por suas atividades nucleares, o Irã é palco, desde quinta-feira, dia 28, de manifestações contra a situação econômica e contra o poder, as mais importantes nos últimos anos.

Embora o número de manifestantes tenha se limitado a algumas centenas de pessoas nos primeiros dias, esta foi a primeira vez – desde 2009 – que tantas cidades foram palco de protestos de cunho social.

No total, 21 pessoas morreram nessas manifestações desde na quinta-feira passada em Machhad. Situada no nordeste do país, a segunda cidade mais populosa do Irã foi o epicentro dos protestos.

Mundo se preocupa, mas não interfere

A Turquia manifestou hoje sua preocupação com os protestos no Irã e advertiu para o risco de uma “escalada” e de “provocações”.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, “a Turquia está preocupada com as informações, segundo as quais as manifestações (…) se intensificam, deixando mortos”.

“Deve prevalecer o bom senso para impedir qualquer escalada”, acrescentou o comunicado.

Já o ministério das Relações Exteriores russo, estimou “que se trata de um assunto interno iraniano”. “Qualquer intromissão estrangeira que desestabilize a situação é inadmissível”, acrescentou.

O presidente americano, Donald Trump, reiterou suas advertências em relação ao poder iraniano, afirmando que “os regimes opressivos não podem durar para sempre”.

Fonte: AFP

Foto: AFP