Quando a COVID chega perto de você, o medo vira seu companheiro

Medidor de saturação: instrumento muito utilizado ultimamente

Essa semana uma amiga querida me mandou uma mensagem na segunda à noite dizendo que estava com febre baixa e muita dor de cabeça. Nestes tempos horripilantes que vivemos fiz a pergunta básica: “Testou?”

Era noite. Sua resposta veio: “Vou testar amanhã, mas estou bastante cansada e com um pouco de falta de ar!”

Nessa hora você já pensa o pior. Disse para medir a saturação, comprar um aparelho que mede e falei para ir ao médico na hora. Por incrível que pareça, ela estava mais calma do que eu e falou que aguentaria até o outro dia raiar.

Pela manhã foi ao médico, fez teste, recebeu prescrição de medicamentos e a recomendação do isolamento, mas antes de ir para a casa fez o teste da farmácia e bingo: positivo! Pegou os remédios e foi embora.

Em casa, depois de algumas horas mandei a mensagem para saber: “Como você está?” O drama começou ali, foi um susto na resposta. “Renato, estou como se um trator tivesse passado por mim, estou isolada, comendo empurrada, não posso ver meus filhos e só levanto da cama para ir ao banheiro!”

O pior dessa doença é que você não pode ir até o enfermo para lhe dar conforto presencial, afinal a chance de ser contaminado nesse abraço é grande, ou seja, resta apenas rezar pelo conforto espiritual e do corpo e ficar nos meios virtuais. Parece até punição para quem gosta tanto de um abraço, não é?

Minha amiga contou que a COVID para quem a vive em casa com sintomas medianos é terrível também. Ela disse que eles se intensificam no período noturno. “A noite é sempre ruim, falta ar, você não respira direito, parece que vai morrer”, contou.

E deve ser mesmo, afinal de contas você está sozinho, de noite pensamos mais, os sintomas como a falta de ar ficam mais latentes. Ela teve saturação em 91% por dias, mesmo com medicação e monitoramento, a COVID destrói o psicológico da pessoa, pois ela não sabe se piorará de uma hora para outra e precisará de um hospital que hoje está lotado com outros pacientes e muitos deles em situação de intubação. O medo acaba com a pessoa, a valentia some e assim vemos quanto somos frágeis. Minha amiga me escreveu por diversas vezes ao longo de nossas conversas durante esses dias uma frase que se tornou um mantra triste: “Estou com medo!” A minha resposta era sempre a mesma: “Vai passar e dará tudo certo!”

Ontem, a notícia foi boa, sua saturação melhorou e a noite de ontem para hoje foi passada com mais calma, talvez um sintoma de que seu corpo conseguiu derrubar essa tão terrível vírus e a recuperação está chegando, mas aqui fica o parêntesis: “400 mil brasileiros não conseguiram, o governo inútil não comprou vacinas e hoje somos um laboratório do vírus!”

Nesta manhã, outra surpresa: um cunhado de uma amiga intubado por causa COVID, uma família toda contaminada e mais drama, drama e drama. Parece que entramos numa espiral sem fim.

Se cuide, não saia sem precisar, limpe as mãos e use máscara e não acredite em notícias falsas que se espalham pelo whatsapp.

Renato Chimirri