Quando encontrei minha falecida mãe em um simples “bom dia”

Minha mãe se foi em 12 de outubro de 2024, portanto, há quase dois anos. Nunca me recuperei. Infelizmente, não estamos preparados para essa despedida. A dor, aos poucos, ameniza e se transforma na mais profunda saudade que podemos sentir. Não ouvir a voz da própria mãe ao vivo, mas apenas na memória, é algo impensável.

Na última sexta-feira, dia 22, eu estava passeando com meu cachorro na marginal e nem prestava atenção no mundo. Era algo normal: estava focado no meu amigão e em seu passeio, quando ouvi um “bom dia” diferente:

— Bom dia, meu filho!

A princípio, não olhei direito. A frieza do dia a dia tem nos tornado assim: sem vontade de olhar ao redor, pensando apenas na própria rotina. Respondi ao “bom dia” e caminhei alguns passos, mas a senhora insistiu:

— Bom dia, meu filho!

Foi então que parei e olhei. Ela já estava um pouco mais à frente, mas a sensação me petrificou. Era morena, maquiada, carregava sua bolsa. Era a minha mãe! Fiquei atônito ao perceber tamanha semelhança, ao ouvir aquele “bom dia” em uma voz diferente, mas vindo de uma mulher tão parecida com ela.

Meu cachorro me puxou um pouco e andei mais alguns passos, pois o bichinho queria cheirar uma árvore. Para minha surpresa, quando virei, a senhora já havia desaparecido na imensidão da vida e deste mundão que já não é o mesmo há muito tempo.

Muitos poderão dizer que não era nada, que eu não vi nada, que foi apenas uma saudação comum. Contudo, naquele momento, senti novamente aquele velho quentinho no coração, o mesmo de quando minha mãe estava perto de mim.

Foi muito bom. A saudade nunca acaba.

Renato Chimirri