Quando sua amiga perde o irmão e você não pode fazer nada

É preciso ter esperança

Lembro que falei com a Mariana há pouco mais de dois meses, acho que era uma terça-feira na hora do almoço. Eu estava no médico nefrologista tratando dos meus cálculos renais e ela me falou que estávamos perto. Logo perguntei onde ela se encontrava pois poderíamos tomar um café e conversar uns minutos, mas a resposta veio triste: “Estou na Santa Casa!”

Mariana contou que estava acompanhando seu irmão que não se encontrava bem de saúde e disse que o mesmo tinha passado por algumas consultas, mas não tinha um diagnóstico fechado sobre o seu problema, era perceptível a agonia em suas palavras, mesmo que elas fossem escritas pelo WhatsApp.

Com razão, ela estava muito preocupada com seu irmão, me lembrou a necessidade de se importar com as pessoas que estão à nossa volta e eu disse que assistia razão as suas agruras, afinal de contas, era uma pessoa muito próxima que precisa de apoio num momento tão delicado.

A Mariana é uma lutadora, tem dois filhos, um menino e uma menina, e naquele momento estava se desdobrando pelo seu irmão que estava enfermo. Naquele período tive um sentimento de impotência porque eu não sabia o que poderia fazer para ajudar, na verdade, pude apenas dar um apoio moral, afinal de contas, era o que me sobrava, porém a questão seguia sempre me incomodando e ainda por cima veio à minha cabeça o fato de como mãe e mulher se ter mais dificuldades nessa sociedade com machismo tão arraigado para se fazer respeitar e buscar cuidado a quem se ama.

O irmão da Mariana continuou sofrendo, pelo que fiquei sabendo, não tenho a informação se conseguiu um diagnóstico sobre a doença que o acometia, mas sei bem que sua irmã esteve ali lutando sempre por ele e vi o tamanho da sua preocupação e tive a exata dimensão do que sentimos quando um ente querido bem próximo de nós passa por uma situação muito difícil, ainda mais num país onde se cobra tanto imposto, onde político promete ser a “nova política” e nomeia corrupto confesso para empresa estatal, e a saúde é sempre relegada para o quarto ou quinto plano.

O resultado de tudo isso? Mesmo com luta, mesmo reunindo todas as forças, ontem o irmão da Mariana, o Carlos André, faleceu. Eu estava na minha casa vendo TV quando soube da notícia e uma tristeza profunda me acometeu. Não conheci o seu irmão, mas conheço bem a Mariana e sei que ela está sentindo muito essa partida, sei que ela não dormiu, sei que ela chorou e sei que ficará trise por um tempo considerável.

A tristeza pela partida dará lugar, com o tempo, à saudade, palavra mais linda da língua portuguesa, porém nunca existirá conforto, sempre ficará a pergunta: por que isso foi acontecer?

Não dá apenas para dizer que a vida é assim, não é possível falar somente que um dia tudo tem um fim e que temos que nos acostumar. Na verdade, é preciso sempre olhar para a frente e mirar em exemplos bons para podermos continuar caminhando.

Espero que a Mariana e a sua família tenham fé, sabedoria e discernimento para poderem se reerguer e continuar a missão por aqui. Não será fácil, mas mesmo com toda a dificuldade devemos sempre ter esperança em dias melhores.

Um beijo, Mariana!

 

Renato Chimirri

 

Imagem de silviarita por Pixabay