Quando você perde alguém no meio da Pandemia…

A paisagem nos tempos de pandemia

Recentemente perdi uma pessoa do meu convívio em meio à Pandemia de Coronavírus e descobri que esse é um jogo de “perde-perde”. Você vê a pessoa falecer, a dor de toda uma família, de amigos, a tristeza irreparável que a morte nos proporciona e ainda nota que este mal, no caso o vírus, está longe de acabar. A cura? Provavelmente ela virá, mas não será tão simples como alguns gostam de dizer, demorará e teremos mais mortes, além das milhares que estão pelo mundo, basta olhar na China, Itália, Espanha e nos EUA. Corpos foram empilhados e muitas pessoas estão chorando.

O Coronavírus não é uma gripinha, ele mata, em São Carlos são onze óbitos investigados e ainda vemos pessoas que duvidam da letalidade desse que é o maior desafio sanitário da humanidade neste século desde a Gripe Espanhola.

A economia? Sinto dizer que ela vai piorar muito, provavelmente muitos empregos serão destruídos, mas para haver a retomada, será necessário a intervenção do Estado, é para isso que ele existe, para ajudar as pessoas, desde que elas estejam vivas.

Mas e as pessoas que morreram? Elas voltarão? Não voltarão, o que dizer para os pais, irmãos e as demais pessoas que ficaram? Vamos falar que isso não existe? Que foi uma mentira inventada pela mídia? Não foi gente, a pandemia é real, precisamos nos proteger, cuidar de quem gostamos para que possamos acreditar haverá um futuro.

Hoje, no Recife, um menino de 15 anos morreu em função do Covid-19. Isso mesmo, apenas 15 anos! Somente nesta frase caiu mais um estigma: o de que essa doença atinge apenas as pessoas mais velhas. Um garoto de 15 anos está na flor da idade, mas infelizmente não verá o Natal de 2020. Na Unifesp, em SP, um médico, da linha frente, homem novo, também foi a óbito em função do Coronavírus, mais um soldado que a doença derrotou.

O Coronavírus é um jogo de derrota, de perde e perde, ninguém sairá ganhando desta pandemia, todos seremos crucificados de alguma forma, assim como Aquele que morrerá na Sexta.

Ninguém sobreviverá mentalmente ao Coronavírus, todos teremos e veremos mudanças profundas, inclusive no nosso dia a dia. No trabalho, na escola e até em templos religiosos, estádios de futebol, o comportamento sanitário precisará mudar.

Entretanto, você que não acredita no vírus, pelo menos acredita nas mortes que ele está provocando?

Você acha que um canal de TV perderia tempo em “montar imagens” para mostrar mortes pelo mundo? Se você pensa assim, desrespeita a dor das famílias das pessoas que morreram e são milhares em todo o planeta.

Este mal passará, a pandemia pode demorar, mas irá embora, porém a dor pelos que se foram, nunca acabará, por isso pense bem antes de sair comentando por aí que qualquer coisa que implique em você que está vivo é mais importante do que a tragédia que passa alguém que perdeu um ente querido nestes duros tempos que vivemos.

A morte é a única derrota irreversível neste momento.

Renato Chimirri