Quantas vidas mais a SP-215 vai ceifar até ser duplicada?

Quantas vidas mais a SP-215 vai ceifar até ser duplicada?
Quantas vidas mais a SP-215 vai ceifar até ser duplicada? A jovem Ana foi mais uma

A morte da estudante da USP São Carlos, Ana Clara de Oliveira Faria, de apenas 21 anos, não é apenas uma tragédia familiar. É mais um capítulo doloroso de uma história que se repete há anos na Rodovia Luís Augusto de Oliveira (SP-215). Uma rodovia de pista simples, com tráfego intenso, liga cidades importantes da região e, mesmo assim, segue sendo palco frequente de acidentes graves e fatais.

Ana Clara tinha sonhos, projetos, uma trajetória acadêmica promissora. Era filha, irmã, amiga. Assim como Antônio Donizetti Candido e Adriana Cristina dos Santos Pereira, que também perderam a vida na mesma colisão frontal. Três nomes, três histórias interrompidas de forma brutal. E, infelizmente, não são casos isolados.

A SP-215 é conhecida por quem trafega por ela: pista simples, trechos longos e perigosos, fluxo constante de veículos leves e pesados, ultrapassagens perigosas e uma falsa sensação de segurança proporcionada pela sinalização, que, sozinha, não evita tragédias. A cada novo acidente, repetem-se as notas de pesar, as promessas genéricas e o silêncio após comoção inicial.

Até quando na SP-215?

É impossível tratar essas mortes apenas como “fatalidades”. Elas têm endereço, nome e causa estrutural. A falta de duplicação da rodovia é uma omissão histórica do poder público. Deputados estaduais, federais, governo do Estado, lideranças regionais: todos conhecem o problema. Todos sabem da urgência. Mas a SP-215 segue esquecida, fora das prioridades, como se vidas do interior valessem menos.

A duplicação não é luxo, não é obra eleitoreira. É medida básica de segurança viária. É prevenção. É respeito. Cada cruz improvisada às margens da rodovia é um lembrete de que o custo da inércia é humano.

Não basta enviar equipes, interditar a pista após o acidente ou divulgar estatísticas frias. É preciso ação concreta. Projetos, cronograma, orçamento, compromisso público. A sociedade precisa cobrar, e os políticos precisam responder — não com discursos, mas com obras.

Ana Clara não voltará. As outras vítimas também não. Mas é possível evitar que novos nomes se somem a essa lista cruel. A duplicação da SP-215 é urgente, necessária e inadiável.

Quantas vidas mais serão perdidas até que alguém decida agir?

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