Quem não se lembra dos carnavais da ABASC?

Carnaval de 1978 na ABASC Foto: São Carlos Antigo

Quando chegava a época do grito de carnaval era uma expectativa gigantesca que tomava conta dos são-carlenses. Havia o baile, a festa, o luxo, o glamour, a dança do Zézinho Mariposa e no final todo mundo saindo cheio de confete e serpentina para comer um cachorro-quente da Maria em frente do prédio da ABASC na rua Jesuíno de Arruda.

Foram tempos importantes onde as pessoas iam para o baile da festa popular mais famosa do mundo com o intuito de ser divertir realmente. Quem não se lembra dos trenzinhos gigantescos que existiam dentro do salão, daquele rapaz com a bandeira dos Aiatolados e do senhor que usava umas camisas floridas e jogava confete em todo mundo durante a festa no clube? Isso mesmo, aquele senhor, uma criatura gentil e simpática, morava na Alexandrina, a um quarteirão da ABASC, segundo meu amigo Carlos Alberto Caromano, ele já faleceu, mas a sua lembrança é vivíssima em minha memória.

Talvez ele tenha ficado marcado tanto quanto os carnavais que foram animados pela Banda Falso Brilhante. Lembro que eles colocavam uma bandeira vermelha gigantesca com o escrito que tinha o nome da composição atrás em branco, tudo muito bonito, uma banda animadíssima com metais e que tocava de tudo: tinha samba-enredo, axé e marchinhas a gente se divertia muito num carnaval que, segundo algumas fontes, foi considerado um dos melhores bailes de todo o interior do Estado de SP.

A ABASC tinha sua vida própria e no período de carnaval a exuberância do clube se acentuava ainda mais porque as pessoas estavam realmente interessadas na Festa de Momo de uma forma requintada, mas ao mesmo tempo tão popular. Muitos pulavam o carnaval com a camiseta do seu time, brincavam uns com os outros e quase não se tinha notícia de entreveros entre qualquer parte porque naquela época ainda havia a ideia de que o carnaval era uma brincadeira de família.

A ABASC faz muita falta para a vida noturna de São Carlos e o seu carnaval animado nem se fala, a efervescência cultural são-carlense estava ali, aqui não desmereço nenhum outro clube da cidade, mas gostaria exaltar que a ausência desta agremiação em meio ao que vemos hoje mostra que o carnaval na cidade ficou chato, elitizado e para poucos.

Louvo a iniciativa da Prefeitura de fazer a festa em locais com marchinhas e assim tenta dar um caráter familiar para uma prática que é muito mal explorada em São Carlos e que, erroneamente, é vista pelas pessoas como desperdício de dinheiro. Se bem trabalhado, o carnaval gera riqueza, emprego e cultura para uma cidade, só incautos não percebem isso.

Chega a doer a saudade dos carnavais da ABASC, de um tempo que nunca mais voltará. Talvez, a maior invenção do homem seria a máquina do tempo, com ela, certamente, sábado estaríamos num baile comandando pela Falso Brilhante e num salão repleto de alegria que ficava na rua Jesuíno de Arruda. Uma pena que tudo acabou!

Renato Chimirri

Foto: São Carlos Antigo