Quem tem segurança para mandar um filho à escola hoje?

Sala de aula: medo de contágio

Por mais que as autoridades falem de protocolos, nenhum pai que tenha o mínimo de sensatez é capaz de mandar um filho com 100% de segurança para a escola no dia de hoje. Mesmo que sejam apresentados índices baixos de contaminação por faixa etária e que o discurso das autoridades se apresente pasteurizado os pais não são tolos e estão vendo as notícias nos jornais e observando que a cidade de São Carlos, o Estado de SP e o Brasil vivem a segunda e mais poderosa onda de COVID-19.

Já vimos contaminações na semana passada de professores em escolas de Campinas, até de alunos e nos preocupamos com aqueles que lecionam, com as pessoas que trabalham na escola desde o zelador, merendeiras, pessoal da manutenção, escritórios e outras funções tão importantes. Se esses estabelecimentos de ensino estiverem abertos nesse momento esses trabalhadores podem ser alvo de contaminação e assim iniciar uma cadeia de transmissão para outras pessoas em suas casas.

O Governo do Estado faz muita propaganda da vacina que acertadamente foi buscar e que está sendo produzida no Instituto Butantan, mas inexplicavelmente deixou os professores e trabalhadores das escolas fora da prioridade de vacinação nesse momento, o que por si só, já demonstra que as aulas não devem voltar. Se querem aulas presenciais que todos aqueles que fazem uma escola funcionar possam ser imunizados, assim teríamos um pouco mais de tranquilidade para tentar retornar à alguma normalidade.

Conversei ontem com um professor que retomou seu trabalho e ele explicou que o medo de uma contaminação neste exato momento da pandemia é grande entre os profissionais em São Carlos e que o discurso do Estado pode ser um, mas que só quem trabalha na escola, da servente ao diretor, sabe o medo pelo qual essas pessoas estão passando num momento tão grave da vida brasileira e mundial.

Ele diz que fica imaginando a cabeça de um pai que ouve que as aulas estão de volta ao mesmo tempo que a próxima notícia fala dos milhares de mortos por dia no Brasil. “Que pai tem segurança para mandar um filho à escola neste momento? Bom senso é algo que os governos deveriam ter, mas que anda em falta ultimamente!”, conclui.

Sejamos sinceros, aulas normais só ocorrerão quando a curva vacinal do Brasil decolar de uma vez por todas. Perder o ano é uma coisa, ver uma família perecer por conta da COVID-19 é outra completamente diferente. Isso não tem protocolo sanitário de governo nenhum que dê jeito.

Renato Chimirri