Querem um pedágio entre São Carlos e Araraquara?

Preço do pedágio definido

Para os foquinhas da imprensa que acham isso uma novidade tenho uma coisa para lhes dizer: pedágio entre Araraquara e São Carlos não é nenhuma notícia nova e vem desde a época que Geraldo Alckmin esteve à frente do governo do Estado pela primeira vez. Fui o primeiro, ainda quando atuava no Primeira Página, a fazer essa reportagem. Os tucanos locais ficaram muito bravos comigo, ralharam, gritaram, até que numa coletiva Alckmin segurou em minha mão e disse: “Não vai ter pedágio!”

Pois bem, agora numa audiência da ARTESP, o fantasma do pedágio voltou à baila novamente e com força. Querem colocá-lo no Km 255 da Washington Luís, em Ibaté. A ideia é muito antiga e se depender dos políticos locais parece que não enfrentará obstáculos, afinal de contas quando se instalou o pedágio na SP 318 em São Carlos, nenhum político disse nada, todos ficaram calados, pois nenhum deles tem expressão e força para brigar contra a iniciativa do estado e das ávidas concessionárias. Apenas como exemplo: o são-carlense paga pedágio na SP 318 (Thales de Lorena Peixoto Jr), pedágio na Antonio Machado Sant’Anna (SP 255) e depois dois pedágios na SP 334 (Rodovia Cândido Portinari) se quiser andar menos de 200 km e chegar até a Franca para comprar um sapato invocado. É ou não é uma mina de ouro às custas do contribuinte que já paga milhares de impostos?

O pedágio entre Araraquara e São Carlos, se realmente a ideia for avante, deveria desencadear movimentos das duas prefeituras contra essa iniciativa vergonhosa. O trânsito entre são-carlenses e araraquarenses é grande, a integração das cidades é maior ainda e agora vão colocar um entrave bem no meio do caminho? Onde vamos parar? Com os preços dos combustíveis nas alturas ainda querem “pedagiar” mais rodovias? Qual a lógica para essa sanha arrecadatória?

A verdade é uma só: sempre aparecem com essa história de que a concessão trará benefícios e investimentos, especialmente agora onde uma nova concessão está sendo discutida para o trecho entre São Carlos e Mirassol na SP 310. Contudo, o que realmente ganha o mais pobre e que depende da rodovia para trabalhar e se deslocar com uma nova praça de pedágio, independente dela ser de uma outra empresa concessionária?

Se ainda tivéssemos no Estado de SP saúde e educação públicas de primeiro mundo, não reclamaríamos de pagar tantos pedágios, porém essa não é a realidade vigente.

O pedágio ainda não está sacramentado, as discussões e audiências continuam, mas onde tem fumaça, tem fogo, não é?

Renato Chimirri