
A reciclagem atualmente é parte importante na redução dos resíduos produzidos pelas casas
Urge a reciclagem eficiente, pois nesta quarta-feira (19), ao passar pela esquina da Comendador Alfredo Maffei com a José Luiz Olaio, no bairro Ricetti, em São Carlos, encontrei uma caixa repleta de materiais recicláveis abandonada na calçada. Segundo moradores, alguém havia separado os itens para a coleta, mas o volume acabou largado na rua após ser remexido — uma cena que, infelizmente, deixou de ser exceção e se tornou parte do cotidiano em vários pontos da cidade.
O episódio ilustra um problema crescente: a falta de uma política de reciclagem que realmente funcione e contemple todos os bairros. Sem uma estrutura consolidada, muitos moradores se veem obrigados a deixar recicláveis na calçada à espera de quem os recolha. Ocorre que, quando catadores passam pelo local e retiram apenas o material de interesse, o restante acaba descartado irregularmente no próprio ponto. Assim, o que começou como um ato de responsabilidade ambiental termina se convertendo em mais sujeira nas ruas.
O caso observado no Ricetti é ainda mais preocupante porque a caixa estava a poucos metros do córrego do Gregório. Na próxima chuva, parte desse material deve parar diretamente no leito do rio, agravando problemas já conhecidos: risco de enchentes, entupimento de bocas de lobo e a progressiva degradação ambiental de uma área que historicamente sofre com resíduos arrastados pela enxurrada.
O que se vê hoje em São Carlos é um ciclo de boa vontade sem apoio. Moradores tentam fazer sua parte separando o lixo reciclável, mas, sem um sistema eficiente e abrangente, o resultado final é o oposto do desejado. A coleta seletiva não cobre toda a cidade, a comunicação é falha, a logística é limitada e, muitas vezes, os pontos de descarte viram depósitos improvisados de rejeitos.
É preciso que São Carlos trate a reciclagem como política pública essencial — não como ação complementar. Isso significa ampliar rotas de coleta seletiva, aumentar equipes, estruturar cooperativas, criar pontos oficiais de entrega voluntária e, sobretudo, investir em educação ambiental contínua. Cidades que avançaram nessa área o fizeram integrando poder público, cooperativas e população, com regras claras, regularidade no serviço e fiscalização constante.
Enquanto essa estrutura não existir, cenas como a da esquina do Ricetti continuarão se repetindo: caixas e sacos remexidos, lixo pelo chão, córregos ameaçados e uma cidade que tenta ser sustentável, mas tropeça na falta de políticas sólidas.
São Carlos tem capacidade e conhecimento técnico para liderar boas práticas ambientais. O que falta agora é transformar iniciativas isoladas em um programa de reciclagem completo, eficiente e verdadeiramente acessível a todos os bairros — porque reciclar não pode depender da sorte ou da boa vontade de cada esquina.









